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SEXO PARA CRIANÇAS: até quando vamos permitir?

Atualizado: há 4 dias





Bom Dia, Boa Tarde, Boa Noite.

Feliz Ano Novo, Soteroleitores.

 

Festas, Férias, Felicidade!  Será?

Aparentemente, tá todo mundo feliz.

 

Engrenei uma jornada em direção à praia, pois do Mar eu preciso.


Só não sabia que a areia estava tão contaminada de sons agressivamente indesejáveis...

 

De onde moro, Paulo Afonso, a praia mais perto é em Sergipe. E para lá me dirigi, tendo como destino Salvador (em algum momento).

 

De Aracaju à Praia do Saco, tenho vagado em busca de uma praia onde possa passar um tempo a sós com o quebrar das ondas. Mas qualquer passo que tenho dado tem estado impregnado de barulho desagradável rotulado de “música”. Emitido de paredões, sons de casas, bar, carros pequenos, caminhonetes, 4x4, jipes, triciclos, motos, bicicletas...

 

Quem me acompanha sabe do meu apreço por música e como a considero vital.

 

Mas o que eu tenho escutado não tem nada de vital. A menos que se refira a reprodução animal. “Mete”, “senta”, “me chupa todo”. Parece que agora só existem “músicas” sobre o coito.

 

Músicas entre parênteses, porque todas eram apenas mais do mesmo. Não se identifica melodia, harmonia, graciosidade. Há batidas repetitivas, agressivas, inquietantes. Sons impossíveis de identificar se gerados de inteligência natural ou artificial.

 

Cérebro latejando sem descanso.

 

O problema não está em sons eletrônicos, batidas. Me atrai o encanto da música, independente do ritmo, porque creio eu ser este o diferencial do que possa ser chamado de música: o encantamento. Mas….

 

As letras… Ah! As letras!

 

Letra e música. Se a música deixa a desejar, as letras… Aff!! São apenas palavras jogadas. Não sei nem se merece a designação  de “letra” musical.

 

Não estou falando de “açaí guardião”, poesia de Dja. Me refiro a palavras cuspidas, vomitadas, com agressividade. Violência. Descaso.

 

Letras que se referem ao coito, e ao corpo da mulher principalmente, de uma forma não natural ao ser social humano. O corpo como se dissociado de racionalidade e de sentimentos. Desrespeitoso. Desenfreado.

 

Descrições de relações sexuais violentas e sem afetividade.

 

Em uma das músicas a voz feminina pedia repetidamente para ser machucada. Quem deseja isso além dos masoquistas?!! E não creio que este era o caso. “Ela” pedia para “meter com força”. Letra provavelmente escrita por um homem.

 

Inseguranças e relações sexuais caricatas.

 

Em outra música, o cara implorava para que a parceira o deixasse “filmar os dois” no momento do sexo, jurando pela mãe dele (sic!) que não divulgaria a gravação depois. Com certeza quem fez esta música não tem filha. É como se mães e pais no mundo não houvesse.

 

São tantas camadas…

 

Não quero me ater a quem escreve essas bobagens (provavelmente homens-meninos). Letras bobas e desprovidas de qualidade temos desde sempre. Não é de agora que vamos encontrar letras de cunho exclusivamente sexual de mau gosto.

 

O que me preocupa é alguém escolher conscientemente ouvir estas músicas e obrigar outras pessoas, inclusive crianças, a também ouvir, como se fosse um trunfo, se exibindo como pavões.

 

Quer usar estes sons como incremento para seu ato sexual? Vá lá. Mas além do seu parceiro ou parceira sexual, estes conjuntos sonoros não interessam a mais ninguém.

 

É violento expor crianças a este conteúdo, tão explícito e até doentio. E o que mais vi foram famílias com crianças nestes ambientes.

 

Me pergunto se o repertório foi aprovado pelas mães.

 

Alguns dirão que as crianças “não estão prestando atenção” na letra. Apenas para justificar sua insensatez.

 

A criança observa e normalização de tal conteúdo. Ela cresce. “Aprende” a como é tratar e ser tratada no relacionamento sexual.

 

A você que escolhe colocar este conteúdo em suas caixas de som eu pergunto: o que você diria a uma irmã, filha ou sobrinha que recebesse a proposta de ser filmada durante o ato sexual? Daria de brinde conselho para que ela pedisse para ser mahucada durante o coito?

 

Supondo sua resposta, pergunto então por que seleciona este repertório para nossas crianças e nossa sociedade?

 

“Ah, eu ouço pelo ritmo”. Não há nenhum outra música neste ritmo que não fale de sexo de forma explícita e violenta? Nenhuminha nesta imensidão da variedade humana?

 

Repetir padrões sem nexos, seguir fluxos sem questionar “o que está acontecendo?” é justo com cérebros que estão em formação, que estão observando, captando, tentando entender “como as coisas funcionam”?

 

Com estes tipos de discursos, o sexo está sendo injetado em nossas crianças prematura e grosseiramente, negando a proteção garantida por Lei.

 

Ao mesmo tempo em que censuram palavrões e a prática sexual de jovens e crianças, adultos incoerentes se divertem em família com músicas que gritam “caralho”, “porra”, nudez, coito violento e desrespeitoso, e genitálias. “Me chupa todo”.

 

Plenamente incongrunte.

 

A quem dá o Play, não vou nem reclamar da violência ao raptar meu direito ao silêncio ou de escolha do que ouvir. Só peço urgentemente que respeite a Infância, o futuro de nossa sociedade e sua constituição mais humana.

 

Mães, pais, cuidadores, reflitam sobre a violência a qual expoem suas crianças através das músicas que ouvem.

 

Parem de disponibilizar sexo para as crianças.

 

Aos que presenciam, se possível converse com quem esta escolhendo as músicas, e se necessário denunciem aos órgãos competentes (Conselho Tutelar,  Disque 100, Policial...). Quem sabe fazendo barulho as pessoas se sintam constrangidas em tocar tais músicas perto de crianças e/ou as autoridades competentes se atentem para esta violência e tomem medidas mais ativas para proteção da infância.

 

Eu garanto que há outras possibilidades de diversão e outros conteúdos saudáveis sendo cantados que possam ser compartilhados sem dor de cabeça com sua comunidade. Vamos tentar?

 

 

Axé e Até!



3 comentários

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Samuel
há um dia
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Discussão muito necessária. A cultura é fruto dos valores e os retroalimenta. É preciso que alguém se importe em quebrar ciclos.


Se pelo menos as crianças forem protegidas, o futuro tem esperança.

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Manuel Sousa Jr
há 3 dias
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Excelente texto Áurea! Precisamos dessa revolução logo!

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Convidado:
há 3 dias

A questão pra mim é o volume alto,a falta de respeito num ambiente público. Todo mundo enchendo a cara e deixando o som ainda mais absurdo.

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