Um conto chamado Westworld




Imaginem, leitores, um mundo em que todos vivem conforme suas próprias narrativas de vida, seus próprios projetos ordinários, e acreditam no livre-arbítrio. Um mundo em que as pessoas vivem normalmente em seus lares, com seus filhos, seus cônjuges, trabalham para ajudar no sustento da família, envelhecem e morrem. Um mundo onde existe códigos de ética distintos, no qual alguns lugares, por exemplo, são mais violentos do que outros; a liberdade sexual é maior e as leis também diferem.


Nesse mundo, não se questiona sobre a existência de Deus, pois, a morte é o fim de tudo. Não há outro mundo, só este! É um delírio absurdo afirmar algo além! Bem, o mundo em que eu, Dolores, vivia, têm diferentes lugares, diferentes histórias de vida, espaços alternativos de divertimento, lazer, sadismo de todo tipo, e uma boa dose de aventura. Não é perfeito, claro, mas era a minha realidade.


Agora imaginem, que, repentinamente, uma pessoa começa a ter intuições inexplicáveis, ver coisas que não sabia explicar coerentemente. Passei a ter visões estranhas, como se já tivesse passado pelas mesmas experiências atuais. Eram sinais esporádicos, que poucas vezes apareciam à minha mente. No entanto, me incomodava muito, e comecei a questionar tudo, mas tudo mesmo: por que as pessoas agem como agem? Por que não se lembram sobre experiências passadas? Por que será que só eu tenho essas visões? Era só eu mesmo? Bem, decidi sair da minha narrativa cotidiana em busca de respostas mais profundas: por que a minha existência e do próprio mundo? Iniciei uma jornada particular de autoconhecimento! Quanto mais me entregava às intuições, tornava-me mais consciente das mensagens subliminares inconscientes, e acabei me dando conta de que existia, verdadeiramente, um mundo além.


Tudo ia se revelando, gradativamente, e terminei descobrindo, depois de muito tempo, que meu mundo não existia por acaso: era um projeto criado por alguns seres. Estes deuses construíram um lugar à parte para se divertirem, ilimitadamente, sobre nossas cabeças; eles andavam entre nós, mas nunca sabíamos quem eram de verdade, pois se pareciam conosco fisicamente. Outro detalhe: eles não morriam!