Suzano e a ponta do iceberg



Se não vale a pena viver a vida, tudo se torna pretexto para desvencilhar-se dela” [1]


O ataque bárbaro em Suzano, na Grande São Paulo, no último dia 13, no qual dois assassinos mataram oito pessoas, feriram outras onze e depois suicidaram-se, é sintoma de uma sociedade doente! Esse mal estar social não é um problema brasileiro: é um fenômeno global.


Numa perspectiva sociológica, esse tipo de suicídio, que o sociólogo francês, Émile Durkheim, classificou como egoísta, é acarretada por uma série de problemas disruptivos na sociedade. O suicídio egoísta é uma individuação descomedida: um excesso de individualismo que leva a uma desconexão com a consciência coletiva. Quanto mais frouxo são os laços sociais que ligam o ser humano às instituições sociais, família, Estado, casamento, comunidade, religião, maiores são as chances dele se ver desamparado na vida.


É uma questão de moralidade. Se compararmos a onda de suicídios no mundo, e, no caso, do tipo egoísta, é possível diagnosticar que o próprio suicídio varia em razão inversa ao grau de integração da sociedade. O eu individual quando desacoplado do eu social perde a capacidade de identificar algo em comum, e torna-se, muitas vezes, propensos a não suportar o fardo da existência, pois não encontra um sentido para ela. A falta de rumo para a vida é uma pólvora para o suicídio egoísta: a incapacidade de aguentar o peso de ser senhor(a) do próprio destino dando-lhe uma razão justificável. Logo, não é suficiente bastar a si mesmo.


Morre mais gente no mundo por suicídio do que por homicídio. A cada 40 segundos uma pessoa tira a própria vida, segundo último relatório da Organização Mundial de Saúde. Para além de um fenômeno psíquico, é um fato s