Os headbangers e o Brasil bolsonarista

Por Antonio Danilo Pereira Santana*

No Brasil dos últimos anos, um tipo de pensamento se espalhou até onde, ao menos em tese, seria um contrassenso ele ter chegado. Os chamados headbangers, ou metaleiros, como são mais conhecidos por aqui (ou ao menos grande parte destes), refletem a imagem do Brasil bolsonarista dos dias atuais: ódio aos direitos humanos, misoginia, homofobia, repulsa a partidos de esquerda (e mesmo à forma-partido) etc.


Deparando-me com tal fenômeno, vários caminhos fáceis me tentaram, na busca por uma resposta sobre a causa do reacionarismo entre os ouvintes do heavy metal, tais como a grande audiência de um tal Nando Moura, típico headbanger paulista de classe média que ama odiar tudo em nome de Deus, da moral cristã e da família, diretamente do conforto de seu canal no Youtube; ou a predileção destes moços e moças por contos da Europa medieval, com seus reis másculos e paternalistas, suas princesas pudicas e de faces helênicas.


As tentações foram muitas para que eu desse por encerrado qualquer tipo de esforço analítico sobre a relação entre heavy metal e bolsonarismo, se eu, enquanto admirador da filosofia de Jacques Derrida [1], não fosse daqueles observadores chatos e teimosos que enxergam a verdade para além do texto, mais precisamente abaixo de sua superfície. Deste modo, vou deixar as tentações das explicações calcadas nas primeiras aparências de lado e me arriscar num mergulho, ainda que não profundo, devido ao pouco volume exigido por este tipo de texto.