POR QUE FILMES DE ESQUERDA FRACASSAM TANTO?



Filmes com temáticas feministas, ou até LGBT+, ao menos no circuito popular, normalmente não são bem trabalhados, assim como não são bem recebidos. Mas por que? Se a luta no campo político é tão valida, e ganha tanta visibilidade, por que quando entram no circuito cinematográfico alguma coisa se perde pelo caminho? Claro existem casos óbvios de boicote e de pura intolerância por parte de grupos sexistas, racistas e homofóbicos, mas não podemos reduzir a performance de um filme dessa maneira, já que vários outros ingredientes contribuem nessa receita de bolo. Minha hipótese segue por um caminho estético, envolvendo os elementos internos da própria obra, ou seja, os contornos concretos que definem seu enredo e a própria Direção.


Filmes como Charlie's Angels, dirigido por Elizabeth Banks, a Capitã Marvel, dirigido por Anna Boden, ou até mesmo a readaptação do Caça Fantasmas (2016), dirigido por Paul Feig, foram completamente massacrados pela crítica e pelo público. Suas avaliações no site Rotten Tomatoes, um dos maiores sites de crítica cinematográfica do mundo, são as seguintes: Capitã Marvel (48%), Caça Fantasmas - Readaptação (50%) e Charlie’s Angels (50%). O que esses três filmes têm em comum? Além de fazerem parte de um circuito popular, sendo encontrados em qualquer shopping de sua cidade, os três mergulharam fundo no tema do feminismo, explorando vários detalhes desse universo. Ao lado de avaliações tão desanimadoras, principalmente dado o enorme orçamento envolvido nos bastidores, toneladas de comentários agressivos e misóginos foram vistos pelos quatro cantos da internet. Apesar da misoginia, elemento óbvio nessas manifestações de ódio, existe também um outro detalhe que pretendo explorar, um detalhe estético, digamos assim, algo que diz respeito à própria estrutura de como esses filmes foram produzidos. De maneira geral, existem três grandes falhas no momento em que a esquerda invade o circuito popular, envolvendo aqui a produção de filmes, séries e programas de TV.



1- O PROBLEMA ESTÉTICO: As pautas de esquerda, normalmente, não são usadas como um elemento que potencializa a trama, mas ao contrário, sendo uma verdadeira matriz onde tudo é subordinado. Isso significa que ao invés do filme usar o feminismo como um ingrediente na construção da história, o que vemos é o filme sendo usado pelo feminismo. “Mas qual a diferença?”, pergunta você. Se o filme é usado apenas como pretexto, já que o protagonismo estaria na pauta pol