A CIDADE: A imagem acústica e sombra sonora
- Everton Nery

- 20 de mai.
- 2 min de leitura

Há uma relação profundamente interessante entre a noção de “imagem acústica” e a expressão “sombra sonora”, embora elas pertençam a horizontes filosóficos e poéticos distintos.
Primeiro, é importante observar que a expressão “imagem acústica” é de Ferdinand de Saussure. Nele, a imagem acústica não é simplesmente o som físico da palavra, mas a marca psíquica do som, isto é, o modo como a palavra ressoa na consciência. Quando ouvimos uma palavra, não recebemos apenas vibrações sonoras: recebemos uma presença simbólica que habita a mente.
Já a expressão “sombra sonora”, presente no universo poético-musical de Raul Seixas, move-se num horizonte existencial e quase fantasmático. A sombra sonora é aquilo que permanece ecoando mesmo após o desaparecimento da voz, do corpo ou da presença concreta. É o vestígio do som. O eco subjetivo da existência.
Enquanto a imagem acústica, em Saussure, aponta para a constituição psíquica da linguagem, a sombra sonora em Raul Seixas parece apontar para a dimensão ontológica e afetiva do som. O som deixa de ser apenas linguagem e torna-se rastro, memória, assombração existencial.
Podemos dizer então que: a imagem acústica é o som transformado em signo mental; a sombra sonora é o som transformado em permanência afetiva.
Num sentido filosófico, ambas revelam que o som nunca morre completamente. Ele permanece como inscrição subjetiva. A palavra deixa marcas. A música deixa espectros. A relação entre as duas expressões poderia ser compreendida assim: aquilo que
Saussure chama de imagem acústica no plano da linguagem, Raul Seixas transforma poeticamente em sombra sonora no plano da existência. Uma habita a estrutura do signo; a outra habita a memória sensível do ser.
Há algo profundamente fenomenológico nisso: ouvimos sons, mas carregamos presenças.
E talvez seja justamente a cidade o grande lugar onde essas presenças acústicas sobrevivem. A cidade não é feita apenas de concreto, ruas e edifícios; ela também é construída por vozes, ruídos, músicas, silêncios e ecos. Cada cidade possui sua própria
imagem acústica: o vendedor ambulante anunciando produtos, o ônibus freando, o sino distante, o som da chuva atravessando telhados, a música que escapa de uma janela aberta ao entardecer. Tudo isso forma uma gramática invisível da experiência urbana.
Mas a cidade também produz sombras sonoras. Sons que permanecem mesmo quando desaparecem. Há ruas que continuam ecoando passos de pessoas que já partiram. Há canções que devolvem bairros inteiros à memória. Há esquinas que guardam vozes antigas como se o tempo tivesse aprendido a reverberar.
Mas a cidade também produz sombras sonoras. Sons que permanecem mesmo quando desaparecem. Há ruas que continuam ecoando passos de pessoas que já partiram. Há canções que devolvem bairros inteiros à memória. Há esquinas que guardam vozes antigas como se o tempo tivesse aprendido a reverberar.
Mas a cidade também produz sombras sonoras. Sons que permanecem mesmo quando desaparecem. Há ruas que continuam ecoando passos de pessoas que já partiram. Há canções que devolvem bairros inteiros à memória. Há esquinas que guardam vozes antigas como se o tempo tivesse aprendido a reverberar.
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Imagem gerada no ChatGPT

Gostei da ideia de que os sons também contam histórias. Muitas vezes, basta ouvir uma música para reviver pessoas, lugares e momentos que marcaram a nossa vida.
O que mais me marcou logo no início foi a forma como você explicou que a "imagem acústica" de Saussure não é só o barulho físico da palavra, mas a marca que ela deixa na nossa consciência. Eu achei fantástica essa ideia que a gente não recebe apenas vibrações sonoras, mas sim uma presença simbólica que passa a habitar a nossa mente.
A cidade também é feita de sons. Eles fazem parte da nossa rotina, despertam lembranças e mostram a identidade de cada lugar. Por isso, é importante valorizar os sons que trazem bem-estar e evitar o excesso de barulho, contribuindo para uma cidade mais agradável para todos.
Achei, o texto acima muito interessante por que do conceito que ele tenta trazer das linguísticas e poéticas também traz uma profundeza no ambiente Urbano formado como o texto aproxima um conceito da Linguística de uma construção poética sem reduzir um ao outro. A distinção entre a "imagem.
Achei muito interessante a forma como o texto aproxima um conceito da Linguística de uma construção poética sem reduzir um ao outro. A distinção entre a "imagem acústica", como representação mental do signo, e a "sombra sonora", como permanência afetiva e existencial do som, torna a reflexão mais rica e amplia o modo como pensamos a experiência de ouvir. O trecho final, ao relacionar esses conceitos com a cidade, foi o que mais me chamou a atenção, porque mostra que os espaços urbanos também são construídos pelas memórias sonoras que carregamos. Assim, o texto sugere que os sons não apenas comunicam, mas também preservam identidades, despertam lembranças e dão significado aos lugares que habitamos.