"A RODOVIÁRIA FOI LÁ PRA CASA DA PORRA": Prós e Contras
- Carlos Henrique Cardoso

- há 2 dias
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Enfim, após mais de dois anos de atraso, foi inaugurado o novo Terminal Rodoviário de Salvador, o terceiro em 67 anos, localizado no bairro de Águas Claras, nas proximidades da BR-324 e da Estrada do Derba. Com isso, o governo do Estado, responsável pela obra, formou uma comissão pra avaliar o que fazer com a já antiga rodoviária, na região do Iguatemi. Sem dúvida, essa mudança trará alterações na dinâmica da cidade, em termos de locomoção, deslocamento, e alocação de novos serviços no entorno do terminal recém-instalado.
Muita gente coçou a cabeça imaginando o distanciamento do novo equipamento, principalmente aqueles que trabalham ou residem nas cidades da região metropolitana (Camaçari, Mata de São João, Madre de Deus, Candeias, etc.) sempre estando por aqui transitando com frequência nos centros comerciais e de serviços nas cercanias da Avenida ACM e Tancredo Neves. E também quem mora no miolo, principalmente Cabula e Brotas, ou em regiões da Orla, como Boca do Rio e Nordeste de Amaralina. Quem encontrava passagem num horário mais tarde do que gostaria, tinha o Shopping da Bahia logo do outro lado, pra passar o tempo, comprar alguma coisinha, ou até mesmo pegar um cineminha. Agora... Por enquanto, a região de Águas Claras é um local meio ermo pra quem costuma circular bastante e bater perna - como víamos na movimentada área da já rodoviária velha. Há um ditado que diz que tudo no princípio são flores, mas nesse caso, o provérbio mostra o inverso: muita estranheza nessa etapa inicial. Atualmente, não tenho viajado tanto, mas... porra, ficava pertinho daqui de casa, véi.
Mas isso faz parte das transformações urbanas, temos que concordar. Quando o primeiro terminal rodoviário foi desativado, em 1974, na Sete Portas, e a população soube da mudança pro então pouco povoado bairro de Pernambués, muita gente pode ter indagado na época “zorra, vai pra longe! Como vai ser?”. Na Sete Portas tinha serviço público, uma grande feira, comércio ativo, bairros próximos bem habitados (Brotas, Nazaré, Liberdade...), além do Terminal do Aquidabã com algumas linhas e o centro da cidade logo ali após a Baixa dos Sapateiros. Também não havia alternativas de transporte, era somente buzu e olhe lá. O governo na ocasião fez a aposta na modificação. E deu certo!
Durante a década de 1960, algumas avenidas de Vale estavam sendo finalizadas, a exemplo da Avenida Antônio Carlos Magalhães, interligando outras vias, e ampliando limites urbanos naquelas imediações. O Shopping Iguatemi estava em construção, e também se encontrava em processo de finalização a Avenida Paralela. Havia uma tendência de expansão do local e foi exatamente nesse cenário que a Rodoviária passou a funcionar. Com investimento estatal e privado, eis que aquele território virou o principal centro comercial de Salvador. A estratégia projetada deu resultado.
E o que aguardar pra atual área da Rodoviária nova? O mesmo sistema de desenvolvimento. É pensar em novas utilidades naquele setor, já na saída da cidade, e planejar centros habitacionais, parques, complexos tecnológicos, instituições de ensino e centros de lazer. Isso pode estruturar melhor bairros próximos e ordenar ainda mais a disposição urbana, pra não ocorrer crescimentos desordenados, como aconteceu com localidades de Pernambués e Saramandaia. E, óbvio, preocupação ambiental, já que é uma região com ecossistema razoável. Parece clichê, mas não faz sentido uma mudança dessa envergadura sem pensar em benefícios reais para um local com carência de grandes projeções, alimentando a esperança de desenvolvimento econômico pra quem reside nas adjacências. Airbnb, por exemplo pode estourar por lá, valorizando imóveis.
Por fim, o novo equipamento rodoviário possui SAC, clínicas, galerias comerciais, uma grande praça de alimentação, e até delegacia. Breve, o VLT também aportará por lá, levando mais um modal a auxiliar os passageiros. Sobre o futuro de tamanha empreitada, só o tempo finalmente dirá.
FONTE:
IMAGEM: Bnews



Massa demais a reflexão! Agora temos duas antigas rodoviárias. Que a área se desenvolva com segurança e proteção ecologica. Não tinha pensando nessa possibilidade de Abnb ou até hotéis na região.