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AS LIVES DE NPC E O RETORNO DOS BOBOS DA CORTE COM A INDÚSTRIA CRINGE





Recentemente uma nova polêmica curiosa tem surgido pela internet. O TikTok – concorrente do YouTube – é um aplicativo de vídeos curtos onde os shorts de diversos temas ganham a timeline dos internautas, deixando cada vez mais para trás a ideia de que no app só se vê dancinha e dublagem. Do humor ao conteúdo Freudiano bem no meio estão as novas lives de NPC. Mas é febre sem noção é essa?


NPC é a sigla de ‘’Non Playable Character’’ que significa Personagem Não Jogável, termo muito usado no mundo dos games para caracterizar aquela figura que faz parte do jogo, mas não é usada para realizar as funções práticas, A funcionalidade do personagem seria apenas interagir com o jogador.


Para entender a polêmica em torno desse tema, primeiro é importante compreender que muitas pessoas têm recorrido ao aplicativo como uma alternativa profissional, uma vez que a plataforma do TikTok tem um programa de monetização e paga por vídeos que tem um número significativo de visualizações. Essa por si só é a primeira questão que gera opiniões divergentes.


Ser influenciador ou ser alguém que grava conteúdo para a internet (sem necessariamente influenciar, mas apenas gerar entretenimento, por exemplo) pode mesmo ser considerado um trabalho? Inúmeros são os relatos, encontrados na plataforma, de pessoas que largam seus empregos e até mudam de cidade para conseguir concretizar um sonho: trabalhar com a internet. Em tese um trabalho mais ‘’tranquilo’’ com menos esforço e mais dinheiro, já que o conteúdo pode ser gerado de qualquer lugar e (chegar a qualquer lugar).


Agora vamos às lives. Se já não bastasse a surpresa que o mundo globalizado nos faz, em viabilizar a monetização de um trabalho realizado pelas pessoas cuja ferramenta são as tecnologias digitais, a segunda polêmica é o quanto que se pode enriquecer com esse trabalho. Isso mesmo, o assunto é polêmico porque envolve dinheiro (e uma quantidade razoável). Estamos falando de pessoas que não eram ninguém, apenas proletários comuns em suas firmas ou estudantes do segundo grau que estão ganhando em horas uma quantidade de dinheiro que muito trabalhador soa anos para juntar.


As lives de NPC nada mais são do que essas pessoas comuns da internet – famosos ou anônimos – se vestirem como os personagens não jogáveis e ‘’atuarem’’ como num cosplay as reações que essas figuras teriam nos jogos ao interagirem com os jogadores. Seria basicamente a atuação de uma socialização pessoa-personagem transmutada para uma interação pessoa-pessoa.fingindo.ser.um.personagem. Complexo? Estranho? Mais esquisito ainda é assimilar que essas pessoas fazem lives de 4 horas e saem podendo faturar 10/15 mil reais.


Isso porque no meio das lives quem está assistindo a performance tem a possibilidade de comprar e enviar presentes para quem faz a live. Presentes que seriam reações em formato de emoji, ou seja, você literalmente compra e envia um emoji de rosa, bolo, milho, etc. onde cada um tem um valor. O preço que o telespectador paga por um pacote com alguns emojis é de mais ou menos 50 centavos (sendo que alguns emojis são mais caros que outros) e o valor que a pessoa que está fazendo a live recebe é de mais ou menos 1 centavo por presente enviado. Parece um valor irrisório e é para parecer mesmo, mas o fato da pessoa.fingindo.ser.um.personagem ter uma reação diferente a partir do tipo de emoji.presente que se ganha é peça chave para entender o porque tem se popularizado esses tipos de live. Entramos no debate sobre o controle.


Ao enviar um tipo de presente específico você acaba controlando a reação ou a frase que a pessoa.fingindo.ser.um.personagem vai ter/dizer. Ou seja, você estará controlando um personagem e a partir da sua movimentação, ele terá a reação que você deseja. Por alguns centavos quem não quer ver o outro pagando de bobo na internet ao ter que fazer o que alguém ordenou a partir do envio de um presentinho em formato de emoji? É tipo o retorno dos bobos da corte que ficam aos pés do rei e o faz rir às custas da própria miséria (seria esse o conceito de stand up comedy?).


Tudo é muito bizarro, mas fica pior quando essa moda se populariza e todo mundo pensa ‘’se eu ficar agindo que nem besta na internet por 4 horas eu faço 10 mil reais em uma live? Opa, vou fazer’’. Então a praga se espalha e do nada o TikTok (que como eu disse no início é concorrente do YouTube e, pasme, tá querendo ficar mais cult) vira um mar de lives onde as pessoas estão usando maquiagem grotesca, acessórios aleatórios e guardando a vergonha no fundo da gaveta para conseguir lucrar com a nova mina de ouro. Quanto mais ridículo, será melhor e mais rentável.


É um cenário onde definitivamente a indústria cringe se alimenta das pegadinhas que a gente ama assistir no sofá de casa desde sempre e a transforma na coisa mais ridícula que se possa imaginar para gerar entretenimento e um troquinho rentável para o bolso de quem não tem vergonha.


A especialista em TikTok Lyra Libero tenta explicar a teoria da comunicação por trás das lives vexatórias e propõe refletir o porquê das pessoas assistem isso e porque esse tipo de coisa movimenta tanto dinheiro. Segundo ela, o desejo de controle impera nesses casos, representando o espírito do tempo em que vivemos, onde em um clique temos o que desejamos.


Mas o que você acha sobre o assunto? A categoria trabalho tem se reinventado e para ganhar seu trocado vale até passar vergonha (o que é o BBB, afinal? KKKK - fica para outro texto)?


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Fonte da imagem: Disponivel em: https://revistamarieclaire.globo.com/retratos/noticia/2023/09/lives-npc-se-tem-gente-que-e-viciado-em-ver-eu-sou-viciada-em-fazer.ghtml



Referência:

https://vm.tiktok.com/ZMjSfK3ry/

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