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CANETA AZUL NO CONGRESSO NACIONAL: O Azul Caneta do Cenário Eleitoral




O cantor Manoel Gomes, que anos atrás viralizou com o hit “Caneta Azul” é candidato a deputado federal pelo AVANTE. Não será a primeira vez. Em 2022, ele tentou a vaga na Assembleia Legislativa do Maranhão, sua terra, pelo PL, mas não obteve sucesso (detalhe: ele utilizou a alcunha Caneta Azul mesmo, e não Manuel Gomes!). No entanto, a cena que viralizou sobre sua pretensão eleitoral foi durante um programa de TV onde ele irritou apresentador e convidados por indicar não ter a mínima idéia do que faz um parlamentar. Não quis apresentar propostas por “não ser a hora” e quando perguntado sobre se aderia mais ao espectro da direita ou da esquerda, respondeu “sou mais na minha mesmo”. Não demonstrar ter qualquer aptidão pra exercer o cargo não é prioridade dele, pelo contrário. Virou uma tática nacional.

 

Antes de se tornar famoso em razão de um vídeo despretensioso que gravou e virar “uma febre” alguns anos atrás, Gomes era vigilante e também agricultor, ou seja, um trabalhador como qualquer outro. Gravou disco, começou a fazer shows e assim se mantém, apesar de ser associado apenas por “Caneta Azul”. Assim, ele se mantém totalmente subjugado a essa música e orientando toda sua vida em torno dela, garantindo holofote sempre que preciso.

 

Além dele, Gracyanne Barbosa, o ator Dado Dolabela, o ex-jogador Edmundo “animal”, e uma das filhas de Silvio Santos - Silvia Abravanel - também pleiteiam vaga no Congresso. Mara Maravilha e Jojo Todynho também foram convidadas a se filiarem para concorrerem. Novidade Zero. Muitos foram os nomes de celebridades ou notórios que passaram pela política parlamentar e deram luz a todas essas candidaturas aí. Nos últimos anos, impulsionados por novas demandas políticas e solicitações públicas de uma grande varredura de políticos tradicionais, após a devassa da Lava Jato. Alguns foram eleitos e não aconteceu mudança alguma. Continuaram sem apitar nada, subordinados a velhos caciques, reforçando delírios ideológicos, se comportando mais como influenciadores digitais, utilizando sessões para realizarem cortes pras suas redes, que representantes sérios. Toda aquela vontade popular desmedida acabou reforçando ainda mais os líderes partidários, que estão almoçando e jantando com voracidade pantagruélica o orçamento público.

 

O eleitor, desavisado e cada vez mais chateado e desacreditado de mudanças sérias em sua vida por vias políticas, termina por considerar o voto numa figura como Manuel Gomes, um pobre coitado, limitado cognitivamente, que pode reforçar sua mobilidade social por meio da estabilidade salarial de um deputado por pelo menos quatro anos. É como um reconhecimento, como se vissem ali um cara como ele, guerreiro, correria, que tenta sair eternamente da miséria e de repente ganha uma vaga no Congresso pra ver se grita mais alto, clama pelos anseios de povo, fala das dificuldades aqui fora. Foi assim com Tiririca e Igor Kannário, sem sucesso, ambos engolidos pelas tramóias legislativas. Pior. No caso de Kannário, chegou a ser um dos mais faltosos. Tiririca até comparece, mas fica na dele, sem qualquer demonstração de capacidade discursiva. Não vi problemas em cobrar propostas a Gomes, mas convenhamos… não será planejamento de leis que influenciará votos nesse tipo de candidatura.

 

As siglas partidárias parecem sacar essa tendência e abrem as portas pra esse tipo de estratégia eleitoral. Não apenas com essas celebridades, mas com pessoas que ficam famosas por fatos do cotidiano, como aconteceu com a policial Kátia Sastre, que durante uma tentativa de assalto na porta de um colégio, acabou matando o ladrão, foi condecorada, recebeu proposta de um partido, se candidatou, e pimba! Foi eleita! Isso em 2018. De uma simples mãe que estava a paisana esperando o filho para um dos 513 deputados em questão de poucos meses, sem plataforma política nenhuma, ou qualquer outro projeto. Revendo a candidatura de alguns famosos, uma vaga na Câmera muitas vezes funciona assim: sem programa, sem trajetória política, sem "meritocracia". Vale a afinidade, um ato fortuito, ou uma representação classista. E assim o azul caneta vai pintando o panorama eleitoral brasileiro.

 

Mesmo assim, não dá pra saber se Manuel Gomes ou os outros famosos serão eleitos, isso é uma incógnita. Do jeito que as coisas aconteceram num passado recente, é bem possível que Gomes possa sim utilizar sua famosa esferográfica índigo blue. Possuindo mais de seis milhões de seguidores no Instagram, basta pouco mais de 1% disso pra “Caneta Azul” virar mais um hit no plenário, assim como “Florentina de Jesus”.



FONTE:










IMAGEM: Instagram


 

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