Como sempre: TOCA RAUL!





Recentemente, tivemos uma polêmica no mundo da música. Ed Motta, conhecido por suas opiniões polêmicas, decidiu soltar o verbo sobre Raul Seixas. Obviamente, virou assunto para muitos. E revoltou quase todos os músicos do Brasil.


Para você entender melhor o que está acontecendo, Ed Motta, durante a pandemia, decidiu se aventurar nas lives do Instagram. Com uma boa audiência, o sobrinho de Tim Maia interage com seu público sem papas na língua. A vítima da vez, foi o eterno Maluco Beleza.


Segundo Ed Motta;


"Raul Seixas tem uma falha de caráter terrível na vida dele: ele foi funcionário de gravadora, ou seja, ele trabalhou contra os colegas". "Eu não tenho medo nenhum de falar contra o Raul Seixas, que era uma put* de uma merd*, ruim pra c*ralho musicalmente, de tudo"; "Quem fazia o que ele tinha de mais brilhante, que era o texto, era o Paulo Coelho. Então, esse cara era um idiota, era um funcionariozinho de gravadora, gravando uns discos de merd*, entendeu? E nego vem: 'canta Raul'. Que p*rra, que que é isso, bicho? Um cara desqualificado de tudo, p*rra!"


Ironicamente, ninguém ficou com um pingo de espanto com as falas de Ed Motta. O músico, assumidamente se ver como alguém superior. Destacando seus gostos por vinhos e seu amor pelos Estados Unidos, amor esse enaltecido sempre a partir do rebaixamento do Brasil, país onde fez sua carreira.


Obviamente, como instrumentista, Raulzito não chegava aos pés de Ed Motta. É inegável seu conhecimento musical admirado por muitos. Mas, Raul tinha algo que Ed Motta parece lutar desesperadamente para ter: emoção.


Falando sobre a música em si, Raul inspirava (e ainda inspira) com suas canções. Compostas de maneira solo ou com outros autores. Os arranjos poderiam ser mais simples, sem os fraseados técnicos como os das músicas do compositor de "Manoel", no entanto, suas composições eram feitas com muito mais emoção.


Sinceramente, não vejo isso nas músicas de Ed Motta. Não passam aquele sentimento que você deveria experimentar ao ouvir uma melodia fenomenal . Elas apenas expressam músicas bem arranjadas. Mas, emoção? Não. Talvez seja essa procura incansável de tentar ser superior que o faça esquecer de que música tem que ter sentimento.


Chega a ser irônico. Um artista com tanto amor pelo Soul, R&B e funk estadunidense -estilos conhecidos por ter muita base no feeling- não conseguir passar essas emoções da alma e atravessamentos do corpo. Tomo como exemplo o disco AOR, gravado em português e em inglês. A versão em português, a gente ouve sem ânimo algum, torcendo para terminar. A em inglês, parece uma tentativa desesperada de um pobre coitado ser norte- americano.


Raul, ao contrário, conseguia emocionar todos que ouviam suas músicas e assistiam suas performances ao vivo. Como um músico tem que ser. Ninguém ia assistir Raul para vê-lo por em pratica toda sua técnica e ponto. As pessoas iam para ouvirem e assistirem arte. Para se sentirem pertencentes às músicas de Raul. Ele tinha sua própria identidade.


Não é a toa que, não importa onde e quando, quando começam a tocar Raul Seixas, cantamos em alto e bom tom seus hinos. Podem ser fãs de sertanejo, pagode, rock, MPB, "A Terra parou" para ouvir e cantar Raul. Quanto à Ed Motta, ao invés das músicas, atualmente o mundo só tem ouvido suas polêmicas.


Imagem de capa: colagem de autoria de Jacqueline Gama.

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