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“DESCULPE, ESTÁ EM PAI PRESENTE" Qual o papel dos pais na criação dos filhos?

Atualizado: há 1 dia


O pai tem papel fundamental na criação dos filhos, embora saibamos que o Brasil é um dos países com mais mães solo. O aborto masculino é legalizado no ato paterno do abandono. Pais que não pagam pensão. Pais que não vão buscar os filhos aos finais de semana. Filhos que não têm o nome do pai na identidade.


Com tantos exemplos contrários, fica o questionamento: “Qual o papel dos pais na criação dos filhos?” Estou com um bebê de três meses em casa e posso afirmar que, sem o pai dele, eu não sei como estaria. Apesar de meu marido trabalhar o dia todo em casa, combinamos horários para ele estar exclusivamente com o nosso filho.


No nosso caso, o pai está responsável por dar a mamadeira e trocar a fralda. Ele é quem dá banho. Na maioria desses momentos em que ele fica com o filho, eu me cuido. E são também nessas ocasiões que ele costuma brincar com o pequeno. Ambos sorriem um para o outro.


Meu filho conhece a voz do pai desde a barriga, e o vínculo entre os dois só cresce. Então, sim, os pais, quando presentes, são extremamente importantes para construir referências comportamentais e repertório social.


Porém, a sociedade machista nega aos homens o desejo paternal quando não aceita ou não incentiva que um menino brinque de cuidar, seja de uma boneca, de uma cozinha ou de um animal de estimação. As responsabilidades de quem cuida quase sempre vão para as meninas.


Meninos não são incentivados ao sensível, e isso é um grande problema da nossa construção sociocultural. Brincadeiras violentas de luta e armas, sem uma orientação do que é certo ou errado, só exacerbam esse aspecto do afeto negativo. Tudo piora quando vem seguido de violência contra a mulher, com a excedência de casos de feminicídio e a criação de uma sociedade órfã de mãe e abandonada pelo pai.


Na prática, tudo piora quando o CLT no Brasil tem direito a só dez dias de licença-paternidade, o que nem chega ao primeiro mês do bebê e nem aos 45 dias biológicos de puerpério da mãe. No caso dos pais autônomos, principalmente os que trabalham na rua, isso só piora, já que eles não podem se ausentar do trabalho, nem por um período mínimo.


A sociedade não foi criada para pais. Os banheiros masculinos não têm fraldário, e muitos pais de meninas ficam sem saber o que fazer quando não existe um banheiro infantil ou um banheiro família. Além disso, também precisam levar meninos para ambientes sujos e sem privacidade, que são os mictórios masculinos. Assim, em ambos os casos, podem expor crianças a lugares hostis e inadequados.


Enquanto a sociedade mantém uma configuração machista, o tornar-se pai prevalece como uma tarefa hercúlea. Afinal, ser pai não é apenas deixar a prole sob os cuidados das mães. Ao contrário, é participar da vida dos filhos desde as necessidades mais básicas, como dar de alimentar, até saber como o filho está emocionalmente. Acompanhar o desempenho escolar, levar para atividades culturais, esportivas e de lazer.


Infelizmente, alguns genitores desejam ser apenas “pai de rede social”, ou não querem ser pais ao abandonar os filhos, não dando nenhum tipo de atenção a eles. Afinal, ser pai presente é diferente de apenas fazer o básico, como pagar uma pensão alimentícia, que é um direito da criança.


Ou chegar em casa e ver TV, ou passar o tempo no celular, sem ter uma troca com os filhos. Sem perguntar como eles estão, brincar ou ler para/com eles.


Felizes são aqueles, que, tais quais eu e o meu filho, podem desfrutar de referências paternas. E elas estão presentes desde o contato artístico com filmes, músicas e livros, o compartilhamento de uma torcida, e até os pormenores do dia a dia, como um hábito comum, um sorriso ou o gosto por uma comida.


Fonte da imagem: foto caseira de pai e filho, tirada por Jacqueline Gama (todos os direitos reservados).


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