ESPORTE CLUBE VITÓRIA: Campeão da Copa do Nordeste 2026
- Armando Januário

- há 1 dia
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Sob alguns aspectos, minha história se assemelha a trajetória do Esporte Clube Vitória. O barraco no qual eu morava, no Morro do Amazonas e atrás do Shopping Barra, sequer tinha rede de esgoto. De forma semelhante, o Esporte Clube Vitória construiu o Estádio Manoel Barradas, o Barradão, próximo ao antigo aterro sanitário no bairro de Canabrava em 1986 e o lixão só foi retirado em 2001. Coincidentemente, nesse mesmo ano, conheci chuveiro, privada e esgotamento sanitário dentro de casa.
Fundado em 1899, o rubro-negro baiano enfrentou imensas dificuldades nos últimos anos. Em 2021, rebaixado para a Série C, o clube estava seriamente ameaçado de fechar as portas. Contra todas as probabilidades – 51% de chances de ser rebaixado contra apenas 2,6% de oportunidade de acesso – arrancou para a Série B, onde foi campeão em 2023, chegando à
Série A e se mantendo pelo terceiro ano. Sem sossego, o Leão da Barra enfrentou sérios desafios financeiros. Quantas vezes o Vitória sofreu transfer ban, punição aplicada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), por pendências financeiras de administrações anteriores, comprometidas apenas com seus próprios – e inconfessáveis – interesses.
No entanto, os desconfortos nos fortalecem. Dois marcadores históricos resultam disso: (1) o surgimento da Geração Colossal, a massa de torcedores sempre empurrando o Vitória, independente de como o time esteja em campo; e (2) a consequente superação dos jogadores em campo, muitas vezes no sacrifício. A caminhada rumo ao título de Campeão do Nordeste em 2026 ocorreu em torno dessas premissas. Vimos Jamerson, lateral-esquerdo, retornar de uma fratura na fíbula do tornozelo direito, para atuar na lateral direita, improvisado. Vimos o volante Caíque Gonçalves tomar injeção para seguir jogando. Tudo isso para entregar além do máximo e doar o melhor de si em prol de um grupo coeso e decidido a conquistar o objetivo maior.
Tanto no jogo de ida, em Fortaleza, quanto na partida de volta, em Salvador, o Vitória saiu perdendo. Mesmo assim, acreditando, resistindo e persistindo sempre, o Leão buscou a virada ante um Fortaleza que valorizou essa conquista. Lembrei de meu pai, o amado e saudoso Moisés, quando me dizia: “filho, o futebol ensina, em qualquer área da vida, a jamais desistir”. Lutar como leões, vencer na bola e evoluir como seres humanos: esse é o nosso destino!

Gratidão!