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FOOD PARK NA BOCA DO RIO: Abandono em uma Cidade Pré-Abandonada

há 13 minutos
3 min de leitura



Em abril de 2022 foi inaugurado o Food Park, um centro onde concentrava 30 food trucks, na área onde situava-se a antiga sede do Clube de Praia do Esporte Clube Bahia, na Boca do Rio. A ideia era alocar uma diversidade gastronômica em um só lugar, ao ar livre, próximo à praia e a locais de grande concentração, como o Centro de Convenções, o Parque dos Ventos, e à área de shows, onde acontece o Festival da Virada, nos dias que antecedem o Reveillon. Prometia ser um local apropriado para encontros, diversão, e apreciação culinária, com vagas de estacionamento, parque infantil, banheiro, um pequeno palco, comida árabe, japonesa, pastel, açai, uma infinidade de sabores . Mas não foi isso que ocorreu...

 

Em menos de quatro anos o lugar está abandonado. Geralmente passo por lá nas minhas caminhadas matinais e fico impressionado com o mal uso daquele espaço. Poderiam haver muitos quiosques abrigando uma série de serviços. Correu na orla? Lá tem uma água de côco; encontrou um velho amigo? Lá tem uma cervejinha; criança tá muito interativa? Lá tem parquinho; sextou? Lá tem uma musiquinha. Saiu com fome de um show ali perto?Lá tem um hamburgão artesanal. A ideia era essa: com muita atividade convergindo no mesmo ambiente, tudo tende a ser mais acessível. Isso porque food truck oferece preços que geralmente são elevados, ultrahipermega inflacionados, devido ao alto custo em manter um veículo daquele, se deslocando por vários locais. Mas conservados em um polo fixo, com cuidados do poder público, e passagem de várias pessoas, os valores tendem a cair. Com estrutura, segurança, e logística, era pra ser um local aprazível.

 

Só que, segundo frequentadores e permissionários, havia custo operacional e problemas de gestão. Como há uma base policial nas imediações, falta de segurança não devia ser um problema. Talvez tenha faltado planejamento da própria prefeitura e vontade servidora em pensar novas estratégias praquele local. Com um bairro popular ali bem próximo, não devia faltar artesãos, artistas plásticos, e gente com especialização em preparo de alimentos pra exporem seus produtos, via feiras e mostruários. Tudo isso está parado, mostrando como o local ficou “foodido”. Não tem ninguém, nenhum servidor da administração municipal que possa gerenciar tais ideias?

 

O Food Park é um exemplo que utilizo pra falar de outros pontos da cidade que estão entregue às moscas - e também aos sacizeiros e sem-tetos. Antigos bares que faziam sucesso na noite soteropolitana, sumiram e sobraram ruínas e escombros; hóteis que restaram apenas a carcaça; quilômetros de praia sem qualquer tipo de serviço adequado, cheios de “cacete armado”. Numa cidade com economia imensamente informal e financeiramente frágil, o que vemos é o avanço da especulação imobiliária devastando o meio ambiente com voracidade pantagruélica. Como um negócio sobrevive em meio a tanto desprezo urbano?

 

Falar do fim do Food Park é também citar outros tantos locais que não sobreviveram, como mencionado acima. Palco de ativos turísticos esquecidos - como a Lagoa do Abaeté - Salvador vem perdendo população gradativamente. É a capital com maior queda populacional. Conheço muita gente que foi pra Lauro de Freitas e Camaçari que disseram nunca mais querer retornar à capital. Demonstração da queda do número de coletivos nas ruas, falta de estrutura urbana, domínio de facções em diversos bairros, encarecendo imóveis nos locais que ainda resguardam alguma sensação de tranquilidade.

 

O que vai ser feito da área onde funcionou o Food Park? Eleições estão na porta, tem algum candidato interessado em movimentar zonas esquecidas e mal tratadas? Do jeito que as coisas estão, nossa cidade vai continuar se esvaindo, se esvaindose esvaindo, se esvaindo...

 

 

FONTE:

 

 

 

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