Gal, uma voz tamanha



Não se afobe não, que nada é pra já. O tempo nos presenteou com uma máxima cantora que em quase 60 anos de carreira nos brindou com suas interpretações divinas. O tempo não para, no entanto, ele nunca envelhece. E assim são os grandes artistas. Eles partem, mas vivem. E assim foi com Maria da Graça Costa Penna Burgos, que faleceu em 9 de novembro de 2022, aos 77 anos, vítima de um infarto fulminante. Morre a mulher, mãe, a cidadã. Gal Costa vive.


Sua voz tamanha passa pra história. Grandes sucessos sobrevivem na memória de tanta gente que no dia de sua passagem uma força estranha nos leva a cantar boa parte de seu repertório. Da loja de discos onde trabalhava para repartir seu primeiro vinil com Caetano Veloso ("Domingo", 1967), foi uma dádiva. Voz feminina marcante da Tropicália, construiu uma carreira sólida, influenciando uma multidão de artistas que vingaram, que ficaram, que ainda lutam. Impactou muita gente com suas ousadas capas de LP’s (até Ney Matogrosso, imagine!). Em 1973 lançou o disco “Índia”, cuja capa com intérprete vestindo uma minúscula tanga, foi censurada e liberada 40 anos depois! Realizou um polêmico show no qual mostrava os seios, em 1989. Mulher ozada, viu!? Jogando o leite mal na cara dos caretas.




E assim passaram-se as décadas e Gal com seus cabelos nos ombros caídos, negros como a noite que não tem luar, encantando plateias. Integrou com Caetano, Gil e Bethânia o poderoso combo artístico Doces Bárbaros. É referência feminina nas vozes de diversas cantoras, diva que é. Gravou música com a jovem Marília Mendonça, e tantas outras, mostrando sua contemporaneidade apurada. Esse ícone parte dias após uma eleição turbulenta, que divide o país, onde parte da população mostrou a sua cara, e ainda queremos saber quem paga pra gente ficar assim. Não sabemos onde isso vai dar, somente que é preciso estar atento e forte.


Esse curto texto é muito pequeno para a grandeza de Gal. Escrevo ainda sobre forte impacto em razão de seu desaparecimento, com o país chocado e o meio artístico chorando de dor. Se desloca agora para o panteão onde tantas outras celebres vozes estão.


Oh minha honey, baby, ide em paz. O pranto hoje tem a cor do luto. Lágrimas negras caem. Saem. Dói.



FONTE:


https://glamurama.uol.com.br/notas/foto-do-album-india-de-gal-e-liberada-depois-de-40-anos-de-censura/





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