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GUIA PARA SE TORNAR UM MILIONÁRIO: Natureza em debate




Pensei muito nesse título se valeria a pena colocar esses dois pontos, uma vez que, o que uma escritora deseja é exatamente afetar as pessoas com sua arte, via palavras. Quando o assunto é fetiche, as visualizações são muitas, mas quando o tema aparenta ser pouco interessante, não vale a pena nem passar o olho no texto. Meio ambiente, natureza e planeta Terra são alguns assuntos na lista dos poucos chamativos - e eu fico me perguntando incansavelmente o porquê.


Entre as leituras para os estudos e para o trabalho, a gente precisa de um descanso mental. O meu é ler sobre coisas que eu acho interessante, mas que não fazem parte do meu mundo acadêmico e profissional. Esses tempos, por exemplo, me deliciei com livros sobre a saúde da Terra (algo que não está tão longe do meu campo profissional, já que sou pedagoga e dou aula de geografia e ciências para o fundamental I) e pensei no motivo do tema não chamar tanta atenção ao ponto de não ter uma alma amiga para discutir a respeito.


Na educação infantil, uma das primeiras coisas que aprendemos nos grupos 3 e 4 diz respeito à educação ambiental (como descartar corretamente o lixo, economizar energia, diminuir desperdícios e gerir os recursos naturais existentes na nossa casa - a Terra). No ensino fundamental, continuamos esse trajeto pensando, sobretudo, nos problemas ambientais e climáticos (vamos lembrar do efeito estufa, aquecimento global, poluição, queimadas e diversos outros - infelizmente). Mas depois das provas e de ter passado de ano, isso não gera mais interesse. Me pergunto: por quê?


Por que as pessoas não se importam com o meio ambiente? Esse tema ou aparece assim, nos primeiros anos de escolarização, ou no ENEM, ou em alguma polêmica ecológica da vez (como o caso dos canudos de plástico e as pobres tartarugas), mas qual o motivo disso não ser algo presente no cotidiano das pessoas? Afinal, todo dia produzimos lixo, todo dia tomamos banho, semanalmente o vizinho (ou você) lava seu carro com uma mangueira na calçada, e em um período mais curto do que gostaríamos, as grandes indústrias emitem gases poluentes na atmosfera, despejam seus dejetos líquidos em rios e mares e não se responsabilizam com o descarte correto de absolutamente nada. Por que isso seria relevante para pensarmos além do ensino fundamental e do ENEM? Como de fato algo assim afeta nossas vidas, mas estranhamente ninguém parece se importar (os ambientalistas sofrem - meus sentimentos as árvores cortadas na ACM e na Vasco da Gama para a construção e passagem do BRT).


Recentemente li em um site (confira a referência abaixo) possíveis respostas para essas inquietações. Primeiro que, estamos cada vez mais distantes da natureza e esquecemos, que não apenas co-habitamos com ela, mas que fazemos parte dela. Seres humanos são natureza porque fazem parte dela; porque compõem um ecossistema muito bem estruturado onde tudo se encaixa e tem a sua função (Bee Movie[1] que o diga). Essa desconexão com a natureza não tem nos permitido assimilar a ideia de proteção ao meio ambiente (principalmente numa perspectiva de gerações futuras) e, consequentemente, tem nos afastado de coisas que podem nos auxiliar na promoção de saúde física e mental.


Ver o lixo descartado indevidamente nas ruas, nas praias e na barriga da vida marinha (entre outros animais) me faz pensar no quanto estamos intoxicados (não apenas pelo uso de agrotóxicos).


Estendendo a reflexão, para Laysa Rocha Soares, doutora em economia pela UFF, pensar nas questões ambientais significa refletir sobre a relação entre o ser social e a natureza.


‘’A degradação do meio ambiente ocorre justamente pelo modo de exploração da atividade econômica, através da perseguição pelo lucro de curto prazo (com destaque para a crescente presença do capital financeirizado) e pela exploração da força de trabalho intensificada pelo neoliberalismo. Dessa forma, ao mesmo tempo em que essa sociedade degrada cada vez mais o ecossistema, este lhe apresenta os limites desse sistema. A catástrofe social e ambiental está posta! O desafio será reverter esta realidade.’’ (Soares, 2020).


A relação entre neoliberalismo e problemas ambientais está intimamente ligada aos novos padrões de comportamento social advindos das novas formas de se relacionar com o mundo, a partir de um viés econômico. Na verdade, o que não está?

Mesmo que pareça algo estranho (por ser uma perspectiva diferente), o guia para se tornar um milionário está na natureza: na depredação ou na conservação. Basta decidir onde (e o que) se ganha mais.

E você, o que acha? Estamos enriquecendo ou nos vendendo?


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Nota:

[1] Bee Movie: A história de uma abelha, é uma animação lançada em 2007, distribuída pela Paramount Pictures e conta a história de uma abelha que decide processar a raça humana por roubar o mel das abelhas.


Referências:

Soares, Laysa Rocha. O neoliberalismo e sua impossibilidade de solucionar os problemas ambientais. Revista Fim do Mundo, nº 2, mai/ago 2020. DOI: https://doi.org/10.36311/2675-3871.2020.v1n02.p53-74


Sobre a imagem: Trabalho artístico de Matheus Ribs, artista cartunista carioca que iniciou sua produção em 2013 enquanto se dedicava aos estudos da Ciência Política.



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