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HAVAIANAS: Todo Mundo Usa????





Um comercial das Havaianas deu o que falar. A atriz Fernanda Torres aparece dando um recado para a passagem do ano: que não se comece o ano com o pé direito, e sim com os dois pés, referindo-se ao dito popular para iniciar bem qualquer coisa que se faça e, ao invés disso, virar o ano calçando pares da famosa sandália. Era pra ser mais uma propaganda veiculada nas redes, mas virou um bafafá dos infernos por questões ideológicas. A “nova direita” ficou possessa achando que era um aviso para que tudo que se referisse à direita fosse ignorado. Ou seja, era um claro corretivo ideológico de uma esquerdista informando que tudo o que tem “direito ou direita” deve ser rechaçado. Puta merda, viu...

 

O comercial obviamente falava que quando um ano começa com os dois pés demonstra-se união, fazer algo junto, com os dois pés no chão (outro dito popular), valorizando o sentindo de fincar os pés na terra e realizar tudo calçando chinelos para que suas atitudes rendam. Mas nada é tão simples assim. Analistas, youtubers, políticos, tiktokers bradaram pelo “comunismo” velado na fala de Torres. O suposto viés ideológico contido ali fez até  com que merchandising fosse feito em favor de outras marcas. A Alpagartas, fabricante de calçados responsável pela marca Havaianas, teve queda nas ações, mas depois recuperou e tem arrecadado em alta. Afinal, a propaganda foi intencional ou não? Foi planejada pra chamar essa atenção toda de propósito?

 

Bem, não nego que um convite a uma atriz muito comentada por concorrer a um Óscar, interpretando uma personagem que lidou com a tragédia do regime militar, pra fazer uma publicidade que gerou tanta polêmica, levanta alguma suspeita. Porém, convenhamos... essa marca sempre contou com celebridades atuando em seus comerciais. E contar com uma artista tão famosa assim é luxo. Se sempre tiveram esse potencial, devem utilizá-lo. Nada mais liberal... E as propagandas das Havaianas, vamos combinar, sempre foram muito bem feitas. só que vivemos períodos tão malucos que potencializar seu lado ideológico é mais importante que uma reflexão mais apurada.

 

E olha como tudo é hipócrita. Recentemente, o Congresso Nacional votou a chamada “PEC da Dosimetria” em substituição à Lei da Anistia, que os parlamentares estavam doidos pra passar e liberar golpistas, militares, e “bagrinhos” que participaram do 8 de janeiro. A justificativa era “pacificar” o país, que estaria “cansado da polarização”. Tudo da boca pra fora. Quando vemos o cancelamento da marca de calçados por uma fala desejando bons fluídos para o ano que está para entrar, a convicção ideológica vem em primeiro lugar e a “pacificação” e o “cansaço polarizante” vão às favas no minuto seguinte! Tudo é maniqueísmo de baixo calão. E a sociedade - que estaria indiferente - dá likes, valoriza, e intensifica a balbúrdia. Basta uma celeuma idiota e o algoz passa a ganhar seguidores novos e reconhecimento. Cinismo e cara de pau? Todo mundo usa.

 

Teve até caso de loja vendendo Havaianas por 1 real, em sinal de boicote e desvalorização, pela propaganda “socialista”. Agora vejam o ápice da guerra cultural: comerciante levando possíveis prejuízos por prestígio conservador. O lojista responsável ainda disse que ia deixar de trabalhar com a marca “por tempo indeterminado”. É esse o valor do empreendedorismo eficiente e benéfico que os reclamantes “liberais” pleiteiam a nosso povo? Por falar nisso, grande parte da sociedade civil estaria defecando pra tudo isso, maaaaaaaaaaaaaasss ano que vem podem colocar novamente todo esse povareú em destaque político, elegendo uma claque de eleitos que conclamaram guerra a uma fabricante de chinelos.

 

Seria até aceitável uma propaganda resposta, feita por uma marca concorrente: uma “celebridade patriota” calçando uma sandália apenas, pulando em um pé só que nem um saci, e dizendo “nesse réveillon, entre apenas com um pé, o direito, o único que existe, já que quem oferece entrar com os dois pés, se prostituiu”. Quem seria o mais indicado pra esse comercial???



FONTE:


 

 

 

IMAGEM: F5 UOL

1 comentário

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Stephanie
29 de dez. de 2025
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Infelizmente, um surto coletivo de quem não pensa.


Sabemos que o emissor da mensagem é responsável por como ela será recebida, mas desta ação de marketing (planejada) quantas pessoas realmente pensaram o que significava?


O que posso dizer sob o meu olhar é: sorte é sorte né 😅

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