JÁ ASSISTIU A SÉRIE PLURIBUS? NÃO PERCA MAIS TEMPO
- Alan Rangel

- 12 de jan.
- 2 min de leitura

O que significa Pluribus? Palavra em latim que quer dizer "de muitos" ou "entre muitos”. É a mais nova série da Apple TV+. E a mais assistida até agora. Um sci-fi de alta qualidade.
A humanidade foi transformada em uma mente coletiva. Mas a sanidade da protagonista Rhea Seehorn, ganhadora do Globo de Ouro 2026, como melhor atriz de série dramática, não foi transformada. Mantém sua consciência livre. O fato é que ela é imune ao que causou essa reprogramação mental na Terra. Como aconteceu esse "virus"? Precisam assistir.
Basicamente, essa é a história. Mas isso é só uma camada superficial. O diretor Vince Gilligan, o mesmo de Breaking Bad e Better Call Saul, confunde, constantemente, o senso de certeza do telespectador. Qual o melhor estilo de vida? Ter uma mente livre, independente, individualista, ou estar em uma colmeia, na qual não há segredos, todos sabem sobre todos, e possuem todo o conhecimento do mundo?
Há moral nos dois lados. Coisas boas e ruins. A própria protagonista entra em contradição em diversos momentos. Ela não representa só um indivíduo, mas uma parte da humanidade. Ela é, também, norte-americana, e isso não parece ser irrelevante. Outros personagens, que oxalá verão, também são muito interessantes.
Liberdade-igualdade, díade muito cara quando falamos da pólis, é um dos temas centrais. O diretor vai apontando vantagem e desvantagem de ambas. Existe um modelo perfeito a se viver? A série assinala falha nos dois tipos ideais. Exagera. Faz a gente refletir.
Na igualdade, não há um “eu”, nem um “meu”. Há um “nós”, um “nosso”. Só há objetividade. Já na liberdade, há esse “eu”, esse espaço privado. Os pensamentos são mantidos na subjetividade.
Na nossa experiência social, a liberdade sempre permitiu a prevalência dos mais fortes, que criam hierarquias, desigualdades, impõem relações de força, física ou simbólica. Na experiência solitária, a pessoa pode rir, chorar, inventar, imaginar algo novo. Mas pode mentir, enganar, roubar, matar.
Já no mundo do “nós”, de Pluribus, ninguém fica triste, todos são felizes. Não há hierarquia, não há divisão social, inexiste luta pelo poder, nem a mercantilização da vida. Vocês verão que, neste mundo do “nosso” não há diferença étnica, racial, gênero, econômica e sexual. Não existe capitalismo. Também, a linguagem é universal, representando um retorno a mítica torre de babel. Ou, antes da praga de Javé, que confundiu os humanos dividindo as línguas.
No universo de Pluribus, não há novidade, não há política, não há conflito, todos cumprem todos os papeis. As respostas já estão dadas. Não há divergência de pensamento. Essa mente coletiva é o modelo parecido com uma IA: toda a informação está hospedada em um só lugar. E todos estão na mesma nuvem.
A série parece querer sinalizar muitas questões: o que sempre ocorreu, o que está em curso ou o que poderá acontecer. São muitas metáforas.
Por fim, além do ótimo enredo, a direção de arte não peca, e o papel de Seehorn é um esplendor. Não à toa foi premiada.
E, vocês, já assistiram? Me contem aqui. Ah, haverá uma segunda temporada.
Até a próxima.
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