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JÁ CONSIGO VER FLÁVIO PRESIDENTE





Ano de eleição presidencial não se fala em outra coisa. Nos últimos 12 anos então... o clima da chamada “polarização” - uma disputa ideológica acirrada - está cada vez mais consolidado, apesar da balela de um suposto “cansaço” ou planos de “pacificação”, um completo baratino. O que estamos presenciando é uma disputa colérica entre Lula e Flávio Bolsonaro - que saiu do zero em dezembro e fecha esse mês de março com empate técnico com o atual presidente. Segundo a pesquisa Meio/Ideia, Lula aparece com 47,4% contra 45,3% de Flávio. Ainda há muita água pra rolar até outubro, mas convenhamos: há chances do candidato do PL, filho do ex-presidente Bolsonaro, ultrapassar a peleja.

 

Flávio é senador eleito pelo Rio de Janeiro em 2018, quatro anos após disputar o governo do Rio de Janeiro, onde foi deputado estadual. Seu histórico contém graves acusações: rachadinha (desvio de parte do salário de assessores parlamentares, que retorna para o deputado contratante); quitou com 27 anos de antecedência financiamento de uma casa no valor de quase R$ 6 milhões, algo que chamou atenção de autoridades. Como alguém que planeja pagar um valor em três décadas arruma uma  grana violenta para antecipar tanto tempo e resolver tudo de vez??? até o momento, esse assunto ficou por isso mesmo...; há uma investigação sobre uma venda de uma loja de chocolates da franquia Kopenhagen em um shopping do Rio de Janeiro, e que teria recebido aporte de R$ 1, 6 milhão em espécie antes da venda, o que aponta indicio de lavagem de dinheiro. A apuração de tudo isso anda em passos de “tartarulesma” e assim, a turma do “combate à corrupção” se cala e muito da porcentagem que Flávio recebe nas pesquisas provavelmente advém dessa parcela dos que, nos anos áureos do lavajatismo, praguejava que o principal problema do país eram atos ilícitos envolvendo dinheiro suspeito. Setores da economia não conseguiam enxergá-lo com potencial, mas com seu crescimento, operadores do mercado, do agronegócio, do capital produtivo, e denominações cristãs, já vem acenando pra ele.

 

Quanto à Lula, a aprovação do seu governo apresenta tendências negativas a cada pesquisa. Segundo números da Genial/Quaest nesse mês de março, 44% aprovam seu mandato, mas 51% desaprovam. De fato, é um governo com muitas dificuldades, quase 40 ministérios (inchado), que não apresentam resultados, boa parte da população desconhecem os ministros, apresentam medidas polêmicas para depois voltar atrás - fazendo das ações verdadeiros “test drives”. Isso só faz dar munição discursiva para os opositores, que aproveitam o clima de país parado para gravarem vídeos críticos que viralizam aos milhões. Isso dá uma sensação de desgaste, além da exaustão da figura de Lula, que tenta um quarto mandato. Até parte do eleitorado que vota nele pode estar farto de sua presença quase vitalícia na política brasileira.

 

Pra piorar, “miséria pouca é bobagem”: muitos atribuem o escândalo do Banco Master ao poder executivo. Isso porque ministros do STF envolvidos, segundo percepção popular e avaliação de alguns analistas políticos, teriam aproximação com o governo, caso de Alexandre de Moraes, que foi o principal julgador da tentativa de golpe de estado, que levou pra cadeia boa parte do núcleo militar do governo Bolsonaro e o próprio ex-presidente. E assim, vamos a mais números do “pesquisismo”: 54% da população consideram que a tentativa de golpe de 2022 não passou de puro “cheiro mole” para incriminar quem foi condenado, segundo pesquisa Meio/Ideia. Como, na mesma leva de pesquisa, apenas 48% dos brasileiros estão por dentro do caso Master, quem ouve falar “por alto”, acaba associando o esquema ao governo, visto que o Estado é visto como vigilante, pouco eficiente, e corrupto. O suposto envolvimento de ministros do Supremo, cria a percepção de que autoridades sem nenhuma moral pra julgar quem quer que seja estão “roubando”. O caso Master envolve o mercado financeiro, mas a própria difusão da informação pelos veículos de informação não deixa isso claro, dando guarida para o “jornal da tia zap” divulgar seu material. E Flávio, que não tem nada a ver com isso, cresce.

 

Seguindo essa lógica, não importa tanto as acusações que pesam contra Flávio. A convicção ideológica já está estabilizada e quem se considera de direita e conservador segue aqueles representantes com retórica que atendem seus preceitos, independentemente de escândalos ou envolvimentos suspeitos. Os demais nomes da chamada direita não cresceram nas pesquisas, mas no cômputo geral, há perspectivas de que no final de tudo, todos desse campo político devem se alinhar. Existe um ideário de valores que configuram resistência em mudar de lado, sendo difícil os rumos das pesquisas, mesmo meses antes, mudarem tanto. Pra se ter uma ideia, vamos a mais números: houve desaprovação do governo entre pessoas que ganham de 2 a 5 salários mínimos, justamente a faixa salarial de quem recebeu isenção do imposto de renda, proposto pelo mesmo governo que esses beneficiados desaprovam. Há uma série de nuances aí, claro, não se deve olhar apenas por esse lado. No entanto, isso já deixa evidente que nem aqueles que receberam alguma dádiva querem dar algo em troca. Preferem “o vizinho”, ou seja, o candidato adversário.


Por todos essas estatísticas, sugiro que será uma eleição muito difícil e, pelo andar da carruagem, é possível sim ver mais um Bolsonaro com a faixa verde-amarela no peito.



FONTE:


 

 

 

 

 

IMAGE: Canal MyNews

2 comentários

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Convidado:
há 3 dias

Uma fala, um texto contundente sobre a posição que o Soteroprosa toma a publicar uma mensagem desta natureza. Parabéns pela intensidade e vigor da construção textual. O que está sendo dito aqui é que o Soteroprosa não pode se dobrar às posições desse tipo.

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Lopes
há 3 dias

Misericórdia! Hoje estive em um encontro com jovens e tivemos uma conversa profunda sobre a desinformação em torno das classes sociais. Refletimos sobre como, tantas vezes, o trabalhador acaba votando e defendendo os interesses das classes dominantes, reproduzindo a lógica de quem o oprime e, sem perceber, abrindo mão dos próprios direitos em benefício de quem já possui muito mais.

E então, ao chegar em casa, me deparo com esse texto… Uau. É aquele misto de impacto, inquietação e urgência. Ufa!

Tem uma coisa que precisa ser dita com serenidade, mas também com coragem: a frustração com um governo não pode nos empurrar para o erro de esquecer o que está em jogo.

Sim, há críticas legítimas ao governo de…


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