Moxie e o girl power 365

Mais uma vez minha coluna de domingo será dedicada a uma indicação de filme/reflexão. Amanhã é 8 de março, tradicionalmente conhecido como Dia Internacional da mulher. Nesse dia ocorrem várias homenagens à nós, mulheres. Um dia para lembrar o quanto somos importantes, icônicas, singulares. Um dia, em meio à outros 364.


Nesse dia ganhamos uma rosa, um cartão, uma mensagem bonitinha. E o que ganhamos em todos os outros dias? O que você ganha, leitora? Hoje me dirijo, mas do que nunca a você.


Você ganha reconhecimento, igualdade, respeito, validação? Espero que sim, mas infelizmente não é o que vemos na maioria dos casos, não é? O que vemos ainda é um mundo excessivamente voltado ao masculino.


Por exemplo, você vê uma importância dada ao tal Dia do Homem? Uma data recentemente criada com fins específicos de comércio ou até para abafar a estranheza que causa ter um único dia dedicado à mulher.


Ontem estava assistindo “Moxie: quando as garotas vão à luta”, filme lançado esta semana na Netflix. Ele traz em seu enredo uma garota chamada Vivian (aquela menina certinha e tímida da escola) que por alguns fatores da trama, começa a se questionar sobre sua postura em relação ao que acontecia dentro daquele ambiente com ela e outras meninas. E a personagem não fica somente no questionamento, parte pra ação. Recomendo que vejam o longa.


Mas, voltando, assisti Moxie e comecei a refletir que amanhã é 8 de março. O que o 8 de março significa mesmo pra mim? O que será que ele significa pra você? Fiquei pensando e me dei conta de que nem sabia o porquê desta data ter sido escolhida. Você sabe? Dei um Google e encontrei algumas vertentes.


Inicialmente era divulgado que a data foi eleita devido à um incêndio intencional que ocorreu em uma fábrica têxtil em Nova York, neste dia, em 1957. Tal acontecimento provocou a morte de 129 operárias carbonizadas. Portanto a escolha seria uma homenagem a essas mulheres.


Seria válido, mas parece que não foi bem assim.


Em 8 de março de 1917, “mulheres tecelãs e mulheres familiares de soldados do exército tomaram as ruas de Petrogrado (hoje São Petersburgo). De fábrica em fábrica, elas convocaram o operariado russo contra a monarquia e pelo fim da participação da Rússia na I Guerra Mundial.”


Tal mobilização continuou por vários dias, possibilitando a chegada dos bolcheviques ao poder. Ou seja, essas mulheres foram um fator importante para o início de uma revolução no país.


Essa é a real história por trás do 8 de março, que não é contada no colégio para nós. A data foi transformada em algo passivo, um tanto vitimado, quando deveria ter um caráter extremamente ativo, de acordo com sua origem, se pararmos pra pensar. Um dia para reivindicar e não para ser "mimada".


A gente precisa dessa data, tal qual ela se apresenta agora? Qual diferença ela faz no nosso dia a dia?


A diferença pode ser feita qualquer dia, concorda? O reconhecimento se faz necessário sempre. E ele precisa vir principalmente de nós mesmas, para consigo e para com as outras mulheres que nos rodeiam.


O quanto você apoia as mulheres à sua volta? Será que você fala pra elas como são lindas, únicas, suficientes, capazes, como desempenham um papel fundamental em tantos âmbitos da sociedade?


Ou será que você compete, diminui, faz piadinha, fofoca, bullying velado? Será que você critica seu comportamento, roupas, modo de agir, por que “não é coisa de mulher de família”? Será que você se sente ameaçada no “mercado" dos relacionamentos por outras mulheres e as ataca sutilmente? Pense bem leitora.


Pense também se você ainda está reforçando pensamentos e comportamentos machistas, sem nem perceber. Porque isso acontece mais do que imaginamos. Está entranhado em todas nós.


Moxie, é baseado em um livro homônimo de Jennifer Mathieu e promove essa reflexão de até que ponto nós mesmas permitimos que tantas coisas machistas ainda perdurem na nossa sociedade - nos omitindo - seja ela macro ou micro.


A escola é micro, assim como sua faculdade, seu círculo de amigas ou colegas de trabalho é micro, sua casa é micro. No entanto todas essas micro estruturas formam uma macro. No que você vem contribuindo pra que essa macro mude, através do seu micro?


Acho que eu contribuo nas sessões com minhas pacientes, quando trabalhamos a autovalidação do que sentem; a busca de relacionamentos mais saudáveis, não abusivos; a capacidade de impor sua opinião e vontades; o cuidado com não cair na cobrança que o social impõe em tantos pontos ao feminino; a visão do que de fato é bom ou não na vida de cada uma delas, em detrimento do parceiro ou da falta dele.


Assim também o faço quando ensino meu filho de que forma uma mulher deve ser tratada e o estimulo a desempenhar tarefas que ainda são vistas como femininas, como arrumar sua cama, levar seu pratinho pra pia.


É um grão de areia, mas que pode se multiplicar.


Então quando você acordar amanhã e receber as mensagens fofinhas desse “apenas um dia no ano”, pense na voz ativa que aquelas russas tiveram e não no caráter comercial, de ganhar uma flor ou um dizer clichê num card no Instagram. Pense no grão que você é ou pode ser capaz de criar no seu micro universo. Ele vale muito, não o minimize.


E, pra finalizar, eu não te desejo um feliz Dia da mulher, mas um feliz TODOS os dias do ano, mulher! Dias nos quais você acorda e luta por suas pequenas conquistas diárias, muitas vezes invisíveis, mas tão importantes. Todo dia é dia de nos parabenizarmos, lembre disso. Feliz vida, mulher.


Imagem:

https://estacaonerd.com/critica-moxie-quando-as-garotas-vao-a-luta/

Fonte:

https://www.brasildefato.com.br/2019/03/08/marco-das-mulheres-or-a-verdadeira-historia-do-8-de-marco

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