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“NINGUÉM VAI CHORAR PELO IRÔ. O infame Editorial do Jornal Estadão

 

“O Irã é um Estado pária, que massacra seu povo, quer a bomba para destruir Israel e financia o terror contra o Ocidente. Se o ataque derrubar esse regime criminoso, o mundo agradecerá”[1]

Ao estampar essa capa, o Estadão está sendo leviano ao desconsiderar os efeitos desumanos e devastadores dessa incursão militar em nome de uma "virtuosa coalização civilizatória".


Será que o Irã não tem pessoas? Crianças, mulheres, homens? Só há números? É irrelevante a morte de, ao menos, 175 pessoas, a maioria de crianças, que morreram em uma escola primária feminina, no sul do Irã?[2]


Vale a pena, leitores, colocar em jogo a vida de inocentes em troca do fim de um regime político? Com essa visão, portanto, mortes são apenas um efeito colateral. E, indo além, algumas vidas valem mais do que outras, como defendem muitos influenciadores, políticos e parte da imprensa global e brasileira — como o próprio jornal Estadão.


Em nome de quê? Alguns dizem que é em nome da democracia. Outros, em defesa da liberdade. Outros falam de antecipar o desenvolvimento de armas nucleares. Outros ainda, que é a batalha cristã contra as forças muçulmanas terroristas.


Seja qual for o critério usado, a desculpa é a mesma: a morte é necessária para defender um ideal de mundo, um ideal de justiça. Isso expõe, claramente, a degradação moral da nossa sociedade contemporânea, que repete — não nos enganemos — a mesma lógica dos nossos antepassados. Giramos em torno do mesmo raciocínio: enxergamos nossos ideais como mais certos, verdadeiros e universais. Só muda o conteúdo.


Do ponto de vista geopolítico, Israel depende dos EUA para aumentar seu poderio econômico e militar na região. Netanyahu precisa de uma sobrevida política. Os EUA de Trump têm grande interesse nas grandes reservas de petróleo do Irã. Não podemos ser inocentes: não há uma missão civilizatória do "mundo ocidental" e seus valores contra o mal, o Irã, seu governo e modelo de Estado islâmico. O que há, na realidade, é a luta por poder e dominação: um reordenamento do tabuleiro militar, político e econômico global.


"A produção iraniana de petróleo é a terceira maior da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e representa cerca de 4,5% da oferta global do produto. São cerca de 3,3 milhões de barris por dia de petróleo bruto" =[3]

E, de uma vez por todas: não existe bem e mal, heróis ou vilões nessa história — somente aqueles que dominam a retórica e o discurso hegemônico por meio da comunicação, que possuem arsenal militar e querem impor dominação em todos os níveis.


Abaixo, outro trecho importante do jornal:


"A clareza moral impõe reconhecer que o Irã é um Estado pária e não pode ter uma bomba nuclear em hipótese alguma. Israel tem pleno direito de se defender de uma ameaça existencial inequívoca. 'Chegou a hora de todas as partes do povo iraniano livrarem-se do jugo da tirania e promoverem um Irã livre e comprometido com a paz', disse o premiê israelense, Benjamin Netanyahu. Sejam quais forem as motivações por trás da guerra, se esse for o seu resultado, será bom para o mundo inteiro." [4]

Quando uma imprensa coloca o invasor — que rasga qualquer direito internacional — como herói de um país distante e ainda fala de "clareza moral", estamos certos de que a humanidade caminha para o colapso, escalando cada vez mais a barbárie.


Não estamos aqui dizendo que o regime teocrático iraniano era símbolo de paz e harmonia para seu povo. Longe disso. Por décadas, isso não aconteceu: perseguição, tortura, morte aos oposicionistas. Os fatos estão aí. Agora, querer colocar o Ocidente, capitaneado pelos EUA, como força motora da moral contra o que chamam de "reino da barbárie e do mal", é imortalizar o maniqueísmo e o velho dualismo infantil que tanto destruiu sociedades.


Os EUA passam muito longe de serem uma referência moral e política para a humanidade. Pelo contrário: cheiram mais a sangue.

 

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Notas





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