“NÃO É SOBRE NÃO TER SAÍDA; É SOBRE ESCOLHAS”
- Camila Braga Andrade

- há 7 horas
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Foi possível perceber pelas imagens apresentadas no vídeo uma apresentação em palco, no formato “talent show”, guiada pela frase: “não é sobre não ter saída; é sobre escolhas”. Ressalto aqui, que o vídeo apresentado foi retirado de uma página do Instagram e, nesse sentido, não consegui registrar uma referência explícita de sua origem. Mesmo assim, seguimos analisando as cenas apresentadas, onde foi possível provocar uma reflexão importante: ela não só entretém, como também “organiza” a experiência emocional do público. Psicologicamente, isso acontece em três níveis principais: a tensão entre controle e incerteza, o efeito de confiança/autoridade e a forma como as emoções são reguladas quando há risco percebido.
No primeiro nível, aparece o que podemos chamar de “agência sob pressão”. A ideia de escolha surge justamente quando o cenário sugere perigo e irreversibilidade. Esse contraste eleva o estado de alerta, estreita a atenção e torna mais fácil aceitar explicações rápidas e simples (“foi uma escolha”), mesmo quando existe uma assimetria de informação, ou seja, quando quem conduz a performance sabe muito mais do que quem assiste ou participa. Isso é típico de decisões sob estresse: quanto maior a ativação emocional, mais a mente tende a reduzir alternativas e buscar uma interpretação imediata que faça sentido. Uma leitura importante aqui é que o vídeo oferece uma sensação de autonomia, mas o próprio formato pode estar desenhado para conduzir essa “escolha”.
No segundo nível, há um componente forte de autoridade e sugestão. O figurino, o palco, a iluminação e, principalmente, o controle do ritmo (pausas, aproximações, foco do holofote) colocam o performer no lugar de “quem domina a situação”, enquanto o público e a pessoa no palco entram no papel de quem reage, confia e segue. Em termos de psicologia social, isso aumenta a tendência à conformidade: quando a cena transmite segurança e controle, a plateia tende a aceitar o enquadramento proposto (“é seguro”, “confie”, “acompanhe”). E, se a assistente é uma criança ou adolescente, o efeito emocional costuma ser ainda maior: cresce a empatia, a tensão e a proteção o que também facilita que a atenção fique presa ao que assusta, e não ao que explicaria o “como”.
No terceiro nível, o vídeo transforma regulação emocional em espetáculo. Expressões tensas, foco no rosto e pequenas pausas antes do “momento crítico” puxam o público para um ciclo bem conhecido: antecipação, pico de tensão e, depois, alívio seguido de aplauso. Esse contraste (medo e alívio) funciona como reforço e torna a experiência mais marcante. A mensagem sobre “escolhas” entra como uma moral final: ela dá sentido ao que foi sentido e transforma a descarga emocional em “aprendizado”.
Um ponto cego comum ao assistir esse tipo de performance é confundir “sensação de escolha” com “escolha informada”. A psicologia mostra que decisões podem ser fortemente influenciadas pelo enquadramento, pela ordem em que as opções aparecem, pelo que recebe destaque e pela pressão do tempo mesmo quando a pessoa acredita que escolheu livremente.
IMAGEM: Instagram

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