O PRAZER DE FALAR SOBRE SEXO
- Autor(a) Convidado

- 13 de mai.
- 4 min de leitura

*Aldbarã Lima Silva
O sexo não se resume a gênero, nem ao órgão genital biologicamente masculino ou feminino, ao ser menino ou ser menina, o sexo, há o sexo ele é o sexo, é a origem que traz a vida, escrever sobre sexo é ir além, é um conteúdo que não tem fim, e porque teria? Se é tão gostoso, e por ser tão gostoso ele precisa ser feito, experimentado, escrito, cantado, comportado, vestido, calçado, treinado, visto, ouvido estudado e jamais condenado, exorcizado, expulso. A cantora e escrito Rita Lee, foi assertiva, quando escreveu e cantou sobre o mesmo na música intitulada de “Amor e Sexo” lançada no álbum “Balacobaco” e teve como inspiração as crônicas publicadas por Jabor no Jornal O Globo em 17 de Dezembro de 2002.
“Sexo é imaginação, fantasia, amor é prosa sexo é poesia”. A música da Rita Lee, traz uma forma poética de escrever sobre sexo, mas, hoje temos outras formas mais ousadas e libertadoras falar sobre ele, o sexo está presente nos livros, nos artigos, nos contos, nas artes e fotografias, nas danças e nas atuações de teatro, o sexo tá na Bíblia cristã mas também está na Bíblia satânica, o sexo está nas religiões afro-brasileiras, está no funk, nos bailes, está nos matos e nas moitas, nos banheiros públicos de todas as estações possíveis do Brasil e quem sabe no mundo. O sexo rende fofoca, traz comentários maldosos, mas, também traz comentários felizes. Ele é ciência, não se limitando apenas a Sexologia, ele é multidisciplinar, é Geografia, é História, é Filosofia e Sociologia, é Pedagógico, Matemático e Linguístico, assim a
Figura de linguagem é uma forma de expressão que consiste no emprego de palavras em sentido figurado, isto é, em um sentido diferente daquele em que convencionalmente são empregadas. Elas são normalmente utilizadas para tornar mais expressivo o que queremos dizer. Empregadas tanto na língua escrita quanto na língua falada, ampliam o significado de uma palavra, suprem a falta de termos adequados, criam significados diferentes. (Cereja e Magalhães, 2010, p.57).
É interessante trazer para essa escrita as figuras de linguagem, por que são elas que são muito utilizadas no período que estamos vivendo hoje no que se refere a falar sobre sexo (você pegou, tomou, bebeu, recebeu, chupou) verbos que praticamente são rechaçados no meio social, principalmente baiano quando conversados e/ou falados em público. Risos são arrancados das bocas, vozes que acusam, criticam e judiam dos
outros, mas é só uma leve brincadeira, neste momento percebemos o quão o sexo ele é saudável. Há quem leve na brincadeira e há até os que se ofendem, há quem fique indiferente, mas o sexo está ali, fugindo de tudo que está ligado a gênero, ou órgãos biológicos, pois em;
Cada cultura tem uma configuração sexual distinta, com os seus padrões especializados de conduta social e os seus princípios ‘antropológicos’ na área sexual. A relatividade empírica dessas configurações, na sua imensa variedade e exuberante criatividade, indica que são produtos das próprias formações socioculturais do Homem mais do que uma natureza humana fixa em termos biológicos” (Luckman, 2004 p.61-62)
Mas sexo foge do que só limita ao termo biológico, como dizia a Rita Lee “Sexo é invasão”, ao pensarmos nesse contexto da penetração do falo, na boca, vulva ou anus, caracterizamos como uma forma de “invasão” principalmente na região anal, mesmo nem quase sempre sendo talvez, seja por isso que a sociedade se sinta incomodada a conversa sobre, até quando estão em uma terapia. A sensação de sentir-se invadidos até hoje envolve quando o assunto tem sentido sexual, e talvez seja por isso que até hoje seja tabu para muitas pessoas presente em nossa sociedade. Mas o fato é, quando o sexo entra na conversa mesmo que figurado, ele chama a atenção, atraí interação, porque falar sobre o mesmo não é ser profano e sim e ser vivo. “Sexo é animal” e na figura de linguagem a palavra animal é expressão de que algo é interessante, chama a atenção, e escrever ou falar sobre sexo de fato chama a atenção.
A diversidade de escrever sobre esse assunto é igual a frase da música da cantora citada acima “Sexo é carnaval”, pensando numa festa plural principalmente em Salvador-BA, considerada como a melhor e maior festa de rua pela Guinness World Records, que geralmente acontece todo ano entre os meses de fevereiro e março, trazendo para a Bahia turistas de diversas partes do mundo e do Brasil também misturando várias culturas em uma só, é nesta pluralidade que é o sexo, é algo que não tem fim e que se inova. Escrever sobre o mesmo ainda é um assunto que acredito não ter fim, acredito ser necessário ainda explanar envolvendo outras áreas do conhecimento e do estudo, outros olhares, para trazer ao leitor um “Tesão e um orgasmo de aprendizagem”. Por fim, finalizo nesse momento com a fala da cantora Rita Lee, “ Sexo é para sempre, sexo é do bom, Hum... o sexo”.
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*Aldbarã Lima Silma (@alimask24) é pedagogo, terapeuta, bailarino e servidor público, com uma vasta experiência na área da Educação, especializações na Educação Especial Inclusiva, Artes e Saúde, mestrando no PPGEARA UNEB.
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Referências Bibliográficas:
BERGER, Peter; LUCKMANN, Thomas. A Construção social da realidade. Lisboa. Dinalivro. 2004.
CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português linguagens: volume 1. – 7.ed. reform. – São Paulo: Saraiva, 2010.
LEE, Rita. Amor e Sexo. In: Balacobaco. Rio de Janeiro: Universal Music, 2003

Parabéns pelo texto