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OS FASCISTINHAS NA EXTREMA DIREITA DA SALA DE AULA




Todos afirmam que o meio principal para o progresso do país é educação. Muitas vezes há a compreensão de que a escola é a responsável maior pela função de educar, já que alguns especialistas observam o distanciamento entre a comunidade e as instituições de ensino. Muitos pais consideram o ambiente escolar como local de formação geral de seus rebentos, vide a crença de “doutrinação marxista” que acometeu parte significativa da população, seguidora de formadores de opinião tendenciosos, favoráveis a uma tal "Escola sem Partido". Esse pensamento tosco está tão longe da realidade que os espaços de aprendizagem tem sido palco de ações violentas praticados por alunos desembestados... que não são marxistas.


Recentemente, um “estudante” de 13 anos matou uma professora em sala de aula, numa escola estadual de São Paulo. Na mesma semana desse sinistro, um crime foi evitado num colégio do Rio de Janeiro, quando uma faca foi apreendida na mão de um adolescente de 15 anos. E a semana sangrenta continua: um jovem está em estado grave ao ser esfaqueado por um “colega” numa escola em Belém do Pará. Parece uma conexão violenta contagiosa, como uma pandemia de homicidas colegiais. Um levantamento da UNICAMP mostra que ocorreram 23 ataques nos últimos 20 anos nas escolas brasileiras, sendo que 12 aconteceram nos últimos 4 anos. Por que será?


Não há respostas conclusivas, mas podemos verificar o seguinte: esses jovens são do sexo masculino, brancos, apaixonados por armas, sentem-se excluídos, e afirmam sofrerem bullying. Tai o perfil (nenhum deles um “esquerdista doutrinado paranoico”). E o que tivemos entre 2019 e 2022? Um governo que estimulava o uso de armamento, crescimento exorbitante de clubes de tiros, ostentação armamentista em redes sociais, todo um contexto gerador que influencia desajustados a agir pela força. Muitos dos autores dos mais recentes atos de terrorismo em escolas são admiradores de ideias nazistas e de superioridade racial. Quase todos, participantes de fóruns virtuais suspeitos. E quando se fala em regulamentação das redes sociais, tem gente que só falta pirar...


Falta uma maior problematização desses eventos lamentáveis e uma possível ligação com essa idolatria desatinada por fuzis e pistolas que acometeu segmentos da sociedade nesse período que estamos analisando. Nesse espaço de tempo, amplificou-se a sanha por um domínio militar no poder (militar = braço armado do Estado) e eleição de parlamentares ligados à segurança pública. Paralelamente, a “perda de espaço” do homem branco – cis – cristão – hetero para minorias sociais e o sentimento de “repressão” a esse grupo historicamente privilegiado. Boa parte da população adere e concorda com todas essas pautas contidas nesse parágrafo, sendo que uma parte desse público evangélicos defensores da família! Podemos então, bater todos esses ingredientes nefastos num liquidificador infernal e obtermos um suco onde pode se ver pitadas e pedacinhos de fascistinhas escolares e redpills juvenis.


E continuaremos a dizer que a solução para sairmos do buraco é educação, mesmo que seja socar 30 alunos numa sala de aula com diversas histórias dramáticas e deixar o professor lidar com elas. Triste notar que esse mesmo profissional vem perdendo autoridade por conta de muito do que foi falado, sentindo o distanciamento dos pais em uma coparticipação na formação cidadã desses alunos, e sem grandes margens de atuação pra conter um sem-número de adolescentes deprimidos e revoltados – quando não, uma cópia juvenil do reacionarismo de seus pais.


Fala-se em acolhimento dos estudantes com redes de convívio interligadas a atendimentos especializados de assistência e psicologia social. É uma saída, pois também se fala em porta giratória pra impedir entrada de armas. Ou presta-se ajuda profissional estando ao lado de pais, alunos, e mestres, ou teremos celas nos corredores ao lado das salas de aula. Pra piorar o cenário, há um desencanto com as perspectivas no futuro pós-estudantil, povoado por inteligências artificiais esfacelando sonhos profissionais, juntando intramuros ressentidos, esfaqueadores, esfaqueados, mortos, e feridos. Entretanto, o buraco pode não só ser mais embaixo, como fora da escola: foi desenrolado acima um cenário de proliferação de negacionistas, coronéis, beatos, e cangaceiros urbanos, um clima social arruinado por anos de ódio e produção de políticos de estimação. Miséria pouca é bobagem...


Enquanto isso, o adolescente assassino da professora está custodiado em uma unidade para menores. Com certeza vai dar tempo para sair de lá e se candidatar a deputado federal. Levará centenas de milhares de votos.


FONTE:






Fonte da Imagem: APEOC


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