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Pelé Eterno




Quem viveu em Três Corações, Minas Gerais, nos anos 1940 jamais imaginou que um simples garoto que caminhava por suas ruas se tornaria o Atleta do Século, um mito vivo do esporte, uma majestade suprema do futebol mundial. O menino foi pra Santos jogar no time homônimo da cidade, e ainda adolescente encantava os cartolas do clube. Na Copa de 1958, aos 17 anos, fez um gol épico na final. Mostrava desde já um domínio absurdo da bola, um jeito próprio de matar no peito e fazer com que a bola flutuasse, e uma inteligência emocional inabalável.


E foi assim. Jogo a jogo, torcedores ficavam pasmos com os lances que ele protagonizava. Muitos disseram que suas apresentações eram tão memoráveis que jamais esqueceram, décadas depois. Um fabricante de videogame reproduziu uma jogada inacreditável: o jogador magistral deu quatro chapéus seguidamente em quatro adversários, no goleiro, e fez o gol de cabeça. Muitos desses torcedores sonharam com essas exposições maravilhosas, como se estivessem adentrando um Éden de eventos extraordinários em um gramado. Se mais games fossem ditados por quem o viu jogar, muita gente iria duvidar abismada do que ele foi capaz de fazer com a pelota.


Gênio, criou lances que muitos depois tentaram reproduzir. Gol do meio do campo, dribles desconcertantes. Antes da bola alcançar seu peito, enchia-o de ar e soltava. Quando a redonda batia em seu tórax já desinflado, ela batia secamente e ia direto a seus mágicos pés. Ao fim da Copa de 1970, invadiram o campo pra tentar arrancar suas vestes. Todos queriam um pedaço daquele ser extraordinário, que no ano anterior, havia parado uma guerra na África, pois até os sanguinários queriam ver ele jogar.


Na velha Fonte Nova, em 1969, havia até trio elétrico fora do estádio para comemoração do possível milésimo gol. Não ocorreu. Com certeza, a partida pararia após o ato e todos comemorariam mais um recorde da lenda. O gol foi feito no Maracanã e mandou o recado após jornalistas invadirem o campo depois do feito histórico: “precisamos cuidar das criancinhas”.


São tantas as histórias desse fenômeno... Durante um jogo, foi provocado pelo zagueiro “cadê o Rei do Futebol?”. desafiado, fez dois gols logo em seguida, deu a bola pro adversário fanfarrão e mandou “toma, leva pra tua mãe e diga que foi o Rei quem mandou”. Alguém já viu um árbitro ficar emocionado e comemorar um gol? Sim, aconteceu com o astro. Li essas histórias na revista Placar e nem preciso colocar fontes aqui. A essa altura, ninguém vai exigir. A não ser que seja negacionista do Futebol. Com ele não cola!


Participou de filmes, compôs canções, se tornou personagem dos quadrinhos. Foi tanta homenagem a ele em vida que não consigo vislumbrar nenhum outro tão homenageado. Foi duramente criticado ao não reconhecer uma filha, mas ele mesmo separava o mito dos gramados do ser humano fora dele: esse problema foi de Edson Arantes do Nascimento, e não do Rei, que nem humano era, supostamente um E.T.


Após uma série de enfermidades, sua saúde foi piorando ao longo dos últimos anos até o Edson falecer nesse dia 29 de dezembro e todo o planeta está parado pra render merecidas homenagens ao nome que ele carregou e que não mencionei nenhuma vez aqui porque não precisava. Todos sabem.


PELÉ! PELÉ! PELÉ! Grito assim como quem comemora um gol do Rei. IDE EM PAZ, ETERNO!






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