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POR QUE DEVEMOS VOTAR COM CONSCIÊNCIA DE CLASSE, GÊNERO E RAÇA?

há 5 horas
6 min de leitura

Consciência de classe é um termo utilizado para se referir à consciência que devemos ter sobre as classes sociais às quais pertencemos. Acredite, você é da elite desse país apenas se for detentor dos meios de produção e estiver entre as famílias mais ricas. Sinto informar que, se você ganha 4 mil de salário por mês e possui um carro financiado, você não faz parte desse seleto grupo. Sim, esse pode ser seu chá de revelação de classe! 


As desigualdades sociais no Brasil são imensas, como em qualquer país capitalista. Para ter noção, estima-se que seis pessoas possuam a mesma riqueza que cerca de 100 milhões de pessoas aqui no país. Em termos de renda, e não de patrimônio acumulado ou riqueza, os dados do IBGE e de estudos de desigualdade mostram que o 1% mais rico da população, cerca de 2 milhões de pessoas, detém uma massa de rendimentos comparável ou muito superior à de grandes fatias da base da pirâmide, sendo que a renda média dos mais ricos chega a ser 31 vezes maior que a da metade da população. 


A ideia de votar com consciência de classe parte da escolha de representantes que olhem para as pautas da população e que não estejam interessados apenas em agradar os empresários e o agronegócio. O campo político da esquerda progressista é apresentado por seus defensores como aquele que mais representa demandas da população, como o fim da escala 6x1, o fortalecimento e o reajuste de programas sociais, a implementação de tarifa zero em transportes públicos urbanos, planos de combate ou mitigação da crise climática (visto que populações mais pobres são as mais impactadas pelas mudanças climáticas), investimentos em saúde e educação, dentre outras pautas. A extrema direita, por exemplo, em diversos momentos já se manifestou contra o voto das pessoas mais pobres e analfabetas, em um evidente retrocesso, segundo essa perspectiva, do avanço de pautas sociais no Brasil. 


Por isso, para aqueles que são trabalhadores, têm trabalhadores em seu círculo familiar mais próximo ou recebem ou já receberam benefícios do governo, a defesa de um voto alinhado à esquerda é apresentada como um compromisso político. 


A consciência de gênero é sobre ser mulher e, principalmente, sobre ser homem que respeita, admira e venera as mulheres. De acordo com os dados mais recentes do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública e relatórios do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o país registrou recordes históricos em várias modalidades de crimes de gênero. O principal e mais grave indicador aponta que o Brasil teve 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número já registrado na série histórica. Isso representa uma média trágica de mais de 4 mulheres mortas por dia por razões de gênero. O ambiente doméstico continua sendo o mais perigoso. Os dados revelam que 62,5% dos feminicídios acontecem dentro da própria residência e 60,9% são cometidos por parceiros ou ex-parceiros íntimos.


Os homens desempenham um papel indispensável no combate à violência de gênero por uma razão central: a esmagadora maioria das agressões físicas, psicológicas e sexuais contra as mulheres é cometida por homens. Como os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública demonstram, o problema não é uma "questão feminina", mas sim um problema social cuja origem e comportamento precisam ser transformados por quem o reproduz. Quebra do pacto de silêncio, ou cumplicidade, desconstrução da masculinidade tóxica, proteção das famílias, rompimento de ciclos de violência para as próximas gerações e construção de uma sociedade mais segura e justa são os principais motivos pelos quais os homens devem se engajar nessa pauta.


Votar com consciência de gênero significa, nessa perspectiva, escolher representantes que olhem para as pautas das mulheres. O campo político da esquerda progressista é apresentado por seus defensores como aquele que mais representa as demandas da população relacionadas às mulheres. Igualdade salarial, economia do cuidado, ampliação da rede de creches, pautas relacionadas aos direitos sexuais e reprodutivos, como acesso universal a métodos contraceptivos, fortalecimento da rede de proteção e cotas de representação feminina na política são algumas das pautas desse campo político para as mulheres, enquanto a extrema direita, atualmente, tem se posicionado contra o voto feminino, por exemplo, o que, segundo essa interpretação, configura um retrocesso de quase um século. 


Por isso, para aquelas/es que são mulheres, têm mulheres em seu círculo familiar mais próximo ou admiram, respeitam ou amam alguma mulher, a defesa de um voto alinhado à esquerda é apresentada como um compromisso político.


A consciência racial é sobre ter um entendimento crítico de que a raça não é uma característica biológica, mas sim uma construção social, histórica e política que determina privilégios, vantagens/desvantagens e dinâmicas de poder na sociedade. Se você é uma pessoa branca, a consciência racial também cabe para você, afinal, a branquitude faz com que você goze de privilégios simbólicos e materiais, ainda que não seja signatário desse sistema. As estatísticas mais recentes sobre o racismo no Brasil revelam um cenário de forte aumento nas denúncias e nos processos judiciais relacionados a crimes de discriminação e injúria racial. Segundo os dados consolidados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, lançado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública - FBSP, o país ultrapassou a marca de 50 mil ocorrências registradas em um ano. 


Votar com consciência de raça significa, nessa perspectiva, escolher representantes que se importem com as comunidades quilombolas, ribeirinhas e indígenas, que estejam alinhados com o respeito aos pretos e pardos, que se importem com pautas antirracistas, que reconheçam que existe racismo no Brasil e que é preciso combatê-lo. Votar com consciência racial é apresentado como de extrema importância porque as decisões políticas afetam as pessoas de maneiras profundamente diferentes, a depender da cor da sua pele, devido ao racismo estrutural que molda o Brasil. Como o poder político define a distribuição de recursos, leis e investimentos, o voto consciente se torna então uma ferramenta direta para corrigir desigualdades históricas. 


Combate à desigualdade na representação política, formulação de políticas públicas direcionadas à população não branca, orçamento destinado às periferias, rompimento do mito da democracia racial e defesa e avanço dos direitos conquistados são alguns dos elementos relevantes para analisar a perspectiva racial no momento do voto. O campo político da esquerda é apresentado por seus defensores como o espectro político que olha para essas pautas, enquanto a extrema direita é acusada por seus críticos de destilar ódio, preconceito e diversos tipos de racismo em seus atos e discursos. Assim, a defesa de um voto alinhado à esquerda é apresentada como um compromisso político para quilombolas, ribeirinhos, pretos, pardos, indígenas e amarelos. 


A defesa do voto em mulheres, pretos, pardos, indígenas e pessoas que representem o povo também está relacionada à composição do Congresso Nacional brasileiro, formado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. As casas legislativas são majoritariamente compostas por homens, brancos, de meia-idade e pertencentes às classes socioeconômicas mais altas. Embora as últimas eleições tenham registrado marcas recordes de diversidade, o parlamento ainda apresenta uma grande desconexão demográfica com a realidade da população brasileira. 


Você sabe qual é o seu lugar na estrutura social brasileira? Quem se beneficia das decisões políticas que você apoia? E quem pode ser prejudicado por elas? As pessoas que você elege representam a diversidade da sociedade brasileira? Quando você vota, pensa apenas nos seus interesses individuais ou também nas condições de vida das pessoas ao seu redor? Que sociedade você está ajudando a construir por meio das suas escolhas políticas? O que significa, para você, votar de forma consciente? Depois de refletir sobre classe, gênero e raça, você considera que conhece suficientemente as pessoas e os projetos em que pretende votar? Vamos refletir! Deixe sua opinião nos comentários! 


Diante do exposto, nessas eleições, vote com consciência de classe, gênero e raça!


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REFERÊNCIAS:


CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE MUNICÍPIOS. CNM analisa dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública deste ano; informações trazem diagnóstico do país. Disponível em: https://cnm.org.br/comunicacao/noticias/cnm-analisa-dados-do-anuario-brasileiro-de-seguranca-publica-deste-ano-informacoes-trazem-diagnostico-do-pais. Acesso em: 24 set. 2026.


FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Retrato dos feminicídios no Brasil - 20 anos. 2026. Disponível em: https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2026/03/nota-tecnica-dia-mulher-2026.pdf. Acesso em: 24 set. 2026.


GARCIA, Alexandre Novais. Renda do 1% mais rico é 31,5 vezes maior que a metade mais pobre no Brasil. UOL. 12 ago. 2026. Disponível em: https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2026/08/12/observatorio-brasileiro-das-desigualdades-2026.ghtm. Acesso em: 24 set. 2026.


PUGLIERO, Fernanda. A demografia do congresso. Portal DW. 09 out. 2018. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/a-demografia-do-congresso/a-45817200. Acesso em: 24 set. 2026.


ROSSI, Marina. Seis brasileiros concentram a mesma riqueza que a metade da população mais pobre. Jornal El País - Brasil. 25 set. 2017. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/22/politica/1506096531_079176.html. Acesso em: 24 set. 2026.


SERPA, Verônica. Brasil registrou mais de 30 mil casos de racismo em 2025, aponta anuário. Alma Preta Jornalismo. 23 jul. 2026. Disponível em: https://almapreta.com.br/sessao/cotidiano/brasil-aumento-casos-racismo-anuario-seguranca-publica/. Acesso em: 24 set. 2026.


Imagem gerada por Inteligência Artificial. 





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