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POR QUE, MESMO SABENDO QUE ESPORTE FAZ BEM, EU NÃO PRATICO?

há 6 horas
3 min de leitura

*Juliana Maras


Eu entendo quem não gosta e não pratica algum esporte ou atividade física de forma regular, entendo mesmo. Fazer isso exige esforço, e de esforço já basta o que a vida reserva. Realmente, só um maluco ou um bon vivant mesmo para querer adicionar ainda mais dificuldade numa rotina que já é difícil: é chefe que não respeita, pessoas que não seguem minimamente as regras de convivência, família que demanda, trânsito para lá e para cá, noites mal dormidas e adicione aqui o que mais você lembrar. No pouco tempo que sobra, se é que sobra algum, tudo o que a gente mais quer é um sofá, uma TV e não ter que pensar. Eu entendo.


Eu entendo, inclusive, cada vez mais, quem não pratica alguma atividade física, principalmente dado o contexto social que vivemos atualmente, no qual os opostos reinam: se for para fazer algum esporte é bom que eu seja o melhor nele, se não, melhor nem começar. Penso que tem grandes chances disso ocupar o nosso imaginário social, dado que estamos o tempo todo sendo cobrados por pressa e impaciência com o processo. Será que é possível começar algo já sendo bom? De alguma forma estamos correndo tanto para chegar em lugar nenhum, com um tempo que sabemos que é finito e irrebubinável, acumulando adoecimentos e mais adoecimentos. Mas eu entendo.


Eu entendo também que no início o esporte cobra um alto custo: me deixa com dores, faz com que eu tenha que me obrigar a fazer algo que eu não quero, faz com que eu tenha que me expor, faz com que eu tenha que encarar certas características ou falhas sobre mim que já estavam há tempos debaixo do tapete, faz com que eu me sinta mal, com vergonha, ruim, insuficiente e faz com que eu compare e julgue meu corpo. Faz com que eu entre em contato com muita coisa que eu não quero e que me machuca. Depois de um tempo, isso muda e as partes boas começam a aparecer e os benefícios, de vários tipos, chegam para ajudar a consolidar, sustentar, fortalecer e reforçar o hábito. Mas isso você já sabe, eu te entendo.


Eu entendo muito bem e claramente não estou aqui para convencer ninguém sobre os benefícios de uma vida ativa: diminuição de dor, aumento de autoestima, melhora na qualidade de vida, um melhor envelhecimento, diminuição de fatores que prejudicam a saúde mental, sensação de pertencimento e adicione aqui o que mais você lembrar. Mas, porém, todavia, entretanto, caso, por alguma razão esquisita, você queira fazer uma nova tentativa e incluir movimento na sua vida, eu vou te dizer qual a principal coisa que tem que acontecer para que isso seja possível: criar algum tipo de vínculo afetivo, ou seja, de alguma foram, se conectar emocionalmente com a atividade da sua escolha, criando uma relação que tenha uma carga emocional positiva. Quando isso for feito, você vai conseguir realizar a sua atividade física de forma regular, prazerosa e dentro da rotina que é possível para você, não de forma fácil, mas de forma que faça sentido para você. E o que seria essa carga emocional positiva?


Alguns exemplos são: ter passado por uma experiência de quase morte e precisar praticar algum esporte, fazer isso pela sua família ou seus filhos, ter como valor e propósito de vida se desafiar e se testar, ter no esporte um lugar no mundo no qual você é visto e validado, se sentir pertencente a uma comunidade, ter sido influenciado por alguém querido e seguir praticando em homenagem àquela pessoa etc. Se você ficou até aqui, pode ser que a faísca dessa conexão afetiva com algum esporte tenha acendido aí dentro e talvez seja agora a hora de ouvi-la, acredite, eu entendo.


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*Juliana é administradora que vem se tornando psicóloga. Utiliza o esporte como guia para os enfrentamentos da vida e tenta se conscientizar dos processos que são seus para não transbordar nos outros. Acredita que o inconsciente comanda o mundo.



Crédito da imagem: Foto de Photoholic na Unsplash




 
 
 

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