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POR QUE NEYMAR NÃO DEVERIA IR PARA A COPA?

Este texto é uma réplica ao texto do colunista Carlos Cardoso intitulado Neymar deveria ir para a Copa, sim!. Para começo de conversa, futebolisticamente, o “menino Ney” não é mais o mesmo. Os últimos anos foram marcados por lesões, seguidas de recuperações e novas lesões logo em seguida. Ele chegou a ficar mais de um ano afastado entre 2023 e 2024 após romper o ligamento cruzado anterior e o menisco do joelho esquerdo.


Ao perguntar à Inteligência Artificial se Neymar está em ascensão ou declínio, a IA foi direta: “Olhando para o cenário atual, Neymar está em declínio técnico e físico no futebol de alto rendimento”.


É inegável que ele já esteve entre os melhores do mundo, apesar de nunca ter ganhado a Bola de Ouro, o prêmio individual de futebol mais tradicional e prestigioso do mundo. Quatro brasileiros já conquistaram a premiação: Ronaldo Fenômeno (1997 e 2002), Rivaldo (1999), Ronaldinho Gaúcho (2005) e Kaká (2007).


Embora ainda seja uma figura central na mídia e um dos nomes mais talentosos de sua geração, os dados e os acontecimentos recentes de sua carreira consolidam essa fase de transição para o estágio final de sua trajetória esportiva. Após sua passagem apagada, marcada por graves lesões no Al-Hilal, da Arábia Saudita, Neymar retornou ao futebol brasileiro para defender o Santos. Embora consiga apresentar lampejos de sua genialidade e marcar gols importantes no contexto nacional, seus números globais nos últimos anos são consideravelmente inferiores aos que alcançava no auge, na Europa. Suas atuações oscilam bastante, e a intensidade física em campo diminuiu sensivelmente.


Até que ponto seria interessante levar para a Seleção Brasileira um jogador que está em declínio na carreira? Ainda mais com tantos talentos no futebol do país. A maior comprovação veio logo após a convocação, quando foi constatada uma lesão no jogador.


Ao longo de sua carreira, Neymar se envolveu em diversas discussões públicas que associam seu nome a polêmicas políticas e a acusações ou declarações interpretadas como preconceituosas. Às vésperas da eleição presidencial de 2022, Neymar declarou apoio explícito à reeleição de Jair Bolsonaro, gravando vídeos dançando o jingle da campanha e participando de transmissões ao vivo. A atitude consolidou sua imagem como um ícone defendido pela extrema direita e gerou forte rejeição por parte de eleitores e partidos de esquerda. O presidente Lula chegou a ironizar o apoio do jogador na época. Na ocasião da convocação dele para a Copa de 2026, políticos de direita comemoraram como se a Seleção Brasileira tivesse conquistado o título. Vale lembrar que a resistência de grupos progressistas ao jogador começou anos antes. Em 2014, ele declarou publicamente seu voto em Aécio Neves (PSDB) contra a reeleição de Dilma Rousseff (PT), afirmando que não se deve ter medo de se posicionar. Como pode um jogador que veio da pobreza apoiar um político que vai contra o povo? Como pode um jogador que chegou ao auge de sua carreira por conta do povo? Consciência de raça, classe e gênero tem de sobra pelo Brasil.


Recentemente, ao deixar o campo irritado com a arbitragem em uma vitória do Santos contra o Remo, na Vila Belmiro, Neymar deu uma declaração considerada misógina por jornalistas e movimentos sociais. Ele criticou a atuação do árbitro dizendo: "Acho que acordou de Chico e veio assim pro jogo hoje". O uso do ciclo menstrual como sinônimo de descontrole ou incompetência gerou forte repercussão negativa e debates sobre machismo estrutural, misoginia e masculinidade tóxica no futebol.


Em 2020, áudios vazados de uma conversa privada de Neymar com amigos revelaram xingamentos homofóbicos direcionados a Tiago Ramos, então namorado de sua mãe. Na gravação, o jogador utilizou termos pejorativos para se referir à bissexualidade do modelo, o que levou ativistas dos direitos LGBTQIAPN+ a protocolar denúncias formais contra o atleta por homofobia.


Quanto às pautas raciais, a relação de Neymar com a pauta antirracista oscilou ao longo da carreira. No início, em 2010, ao ser questionado se já havia sofrido racismo, respondeu: "Nunca. Nem dentro nem fora de campo. Até porque eu não sou preto, né?". Anos mais tarde, o jogador mudou sua postura. É necessário reforçar que ele se posicionou em episódios nos quais foi alvo de injúria racial na Europa, como no caso envolvendo o zagueiro Álvaro González, em 2020, e também ao prestar apoio público a companheiros de profissão, como Vinícius Júnior.


A atuação de Neymar como embaixador de plataformas de apostas online e cassinos virtuais é alvo constante de duras críticas. O foco central dos questionamentos de jornalistas, influenciadores, políticos e torcedores está na falta de responsabilidade social e consciência do jogador, considerando o tamanho de seu impacto cultural na sociedade. O grande tapa na cara da sociedade ocorreu quando, por ocasião de sua convocação para a Copa do Mundo de 2026, o primeiro story publicado em seu Instagram, com mais de 233 milhões de seguidores, foi uma propaganda de cassino virtual. Neymar utilizou as redes sociais não para celebrar o retorno à Seleção ou interagir com os fãs, mas para publicar um vídeo de publicidade de cassino virtual. Estima-se que ele tenha ganhado mais de 30 milhões de reais apenas nos primeiros minutos após a convocação. A quem essa convocação interessa nesses termos?

Realmente à qualidade do futebol ou ao marketing que essa figura traz consigo?


Entre os seus centenas de milhões de seguidores, estão menores de idade e pessoas debaixa renda. Especialistas e ativistas apontam que o jogador usa sua enorme influência para

incentivar o engajamento em mecanismos que estimulam a compulsão, o endividamento e a dependência psicológica. Críticos afirmam que, ao prometer facilidades e "diversão", o atleta contribui diretamente para a destruição financeira de famílias brasileiras que buscam nas apostas uma saída econômica rápida.


Personalidades públicas levantam debates sobre a ética dessa escolha do jogador. Figuras como a atriz Luana Piovani dispararam críticas severas na internet, acusando celebridades do escalão de Neymar e Luciano Huck de agirem por "pura hipocrisia" visando ao dinheiro alheio. A linha de argumentação aponta que Neymar já atingiu estabilidade financeira para o resto da vida e tem acesso às maiores marcas lícitas do planeta. Portanto, aceitar dinheiro para promover jogos de azar online demonstraria descompromisso moral com o seu próprio país. Apenas como comparação, a ganhadora do Big Brother Brasil 2026, Ana Paula Renault, que ganhou notoriedade no país e ainda não possui recursos suficientes para toda a vida, está recusando publicidades milionárias de marcas duvidosas ou que levem prejuízos aos seus seguidores e não aceita sequer ouvir propostas de cassinos online e casas de apostas. Prioridades, né, mores?


Conforme citado, recentemente, logo após ter uma lesão de grau 2 confirmada na panturrilha direita, o que coloca em risco sua participação no Mundial, o atacante voltou a postar conteúdos comerciais de uma casa de apostas em suas redes sociais. O momento da postagem foi considerado inadequado, demonstrando, para seus críticos, falta de foco na recuperação esportiva em detrimento dos lucros publicitários, principalmente relacionados a cassinos virtuais.


Como justificar que a camisa 10 da Seleção Brasileira, historicamente associada a exemplos de liderança, seja entregue a um atleta que usa sua influência para normalizar o

vício em apostas e debochar da perda financeira de milhões de brasileiros? Até quando o talento técnico ou a marca que o jogador representa vão blindar um atleta cujas declarações públicas flertam com o machismo e a misoginia, enviando uma mensagem desastrosa para as novas gerações de torcedores? É aceitável que, poucas horas após uma convocação para a Copa do Mundo, a prioridade do principal atleta do país seja lucrar com publicidade de jogos de azar em vez de demonstrar compromisso com a torcida? Como construir um ambiente de vestiário saudável e focado em um título mundial quando a principal estrela da equipe carrega um histórico de episódios de preconceito e forte polarização política? Vale a pena comprometer a identidade e os valores de toda uma nação esportiva para convocar um jogador que parece colocar seus interesses comerciais e caprichos pessoais acima da responsabilidade social que o cargo exige?


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Referências:


CNN ESPORTES; CNN BRASIL. Neymar tem fala misógina ao reclamar de árbitro navVila: "Acordou de chico" | LIVE CNN. YouTube. 30 abr. 2026. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=g2cTWRXEHWA. Acesso em: 31 maio 2026.


O GLOBO. Traição, acusação de assédio, festa na pandemia: veja sete erros de Neymar fora dos campos. 21 jun. 2023. Disponível em: https://oglobo.globo.com/esportes/noticia/2023/06/traicao-acusacao-de-assedio-festa-na- pandemia-veja-sete-erros-de-neymar-fora-dos-campos.ghtml. Acesso em: 31 maio 2026.


SZNAJDERMAN, Bruno. Por que o Neymar causa tanta divisão política no Brasil? Gazeta do Povo. 30 maio 2025. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/por- que-a-imagem-de-neymar-causa-tanta-divisao-politica-no-brasil. Acesso em: 31 maio 2026.


Referência da imagem: Elaborada com Inteligência Artificial.

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