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POR QUE O BRASIL FOI ELIMINADO DA COPA DO MUNDO?




A Seleção Brasileira de Futebol Masculino foi eliminada pela Noruega, por 2x1, em partida válida pela Copa do Mundo, em 05 de julho de 2026, no Estádio Metlife, em Nova Jersey. Para muitos, uma brutal infelicidade. Lamento profundamente! Contudo, ao escrever sobre a partida – apenas a segunda que assisti, após o duelo contra o Japão – estou distante de tal sentimento. Antes da Copa, as pessoas próximas sabiam sobre a segurança que tinha sobre a eliminação antes da final. Por isso, desisti de assistir os jogos da fase de grupos, haja vista as seleções adversárias terem menor tradição. Optei pelos compactos de cada jogo e o confronto contra Marrocos somente reforçou minha certeza.


Desde 2002, o Brasil não ganha uma partida contra seleções europeias, nas fases decisivas. A derrota para o time norueguês assinalou a pior campanha desde 1966, quando o histórico das Copas começou a ser mapeado. Sintomas de um futebol decadente e liderado por uma instituição corrupta – a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) –, esse histórico caracteriza uma seleção que revelou poucos valores em nível de disputar um campeonato mundial. Em paralelo, o futebol europeu evoluiu e mostrou mais uma vez que não é com frases de efeitos e estrelismos que se ganha uma partida. Pelo contrário, o futebol imita a vida: assertividade é a chave.


Quando se tem um adversário de estatura maior e com dois excelentes atacantes, a melhor estratégia é entregar a bola ao adversário, baixar as linhas e contra-atacar com volantes capazes de sair com bola dominada, arrastando a marcação. Vimos o meu amado Esporte Clube Vitória – amor deixado por meu pai para mim –, eliminar “O Todo-Poderoso” Flamengo, a partir dessa tática, no mata-mata pela Copa do Brasil desse ano. Mais que humildade, reconhecer as próprias limitações é imprescindível para atingir nossos objetivos, sobretudo, quando estamos competindo contra adversários mais bem preparados. De fato, é possível vencer com menos recursos, desde quando saibamos aproveitar os momentos adequados para ser letais.


No primeiro tempo, a Seleção parecia ter compreendido tudo isso. Marquinhos e Gabriel Magalhães conseguiram anular Sorloth, um centroavante improvisado pelo lado esquerdo do campo, em virtude da presença de área do melhor atacante de área do planeta, Erling Braut Haaland. O sistema defensivo brasileiro sofreu muito pouco, deu a bola para a Noruega, que teve a posse, mas, sem objetividade. Quando recuperava a bola, a Seleção acionava os seus meias, os quais apesar de medianos, conseguiam fazer a bola chegar em Vinicius Jr. e Matheus Cunha. Sem bola, o Brasil recuava, em um sistema 4-2-3-1 e quando recuperava a posse, rapidamente se agrupava em 4-4-2. Funcionou. Conseguimos criar as melhores chances e provocar um pênalti, perdido de forma displicente por Bruno Guimarães. Mesmo assim, o clima era de confiança para o segundo tempo. O gol parecia perto e Haaland nem de longe parecia aquela assombração ovacionada nas análises esportivas.

 

Veio o segundo tempo e a Noruega começou a desgastar as linhas de defesa do Brasil. Os nossos volantes – que haviam ganhado a maioria dos duelos no primeiro tempo – passaram a não ter pernas sequer para competir. Os noruegueses começaram a jogar dentro do nosso campo de defesa. Mas, isso tem remédio: o treinador opta por um esquema com 3 volantes e estabiliza o meio campo. Ancelotti parece ter visto isso e colocou Danilo em lugar de Rayan e Éderson substituindo Bruno Guimarães, aos 22 e 33 minutos, respectivamente.


Não obstante, aos 22 minutos, Ancelotti desestruturou o sistema de jogo do Brasil: sacou Gabriel Martinelli e colocou Neymar Jr. Suicídio em um jogo com um adversário tendo mais posse de bola! Era um jogo de marcação no campo de defesa e saída rápida em transição, tal qual o primeiro tempo. O técnico da Seleção – e cada torcedor – sabia perfeitamente que Neymar não tinha nenhuma condição física para trazer o Brasil ao ataque. O tempo no qual camisa ganhava jogo acabou e Ancelotti, ao tirar Martinelli, abriu mão de pesar a área adversária, optando por dois jogadores que vinham de trás: Neymar e Vini Jr. Endrick também é um atacante que joga melhor quando é lançado. Resumindo: chamou a Noruega para se lançar ainda mais ao ataque. Já no intervalo, o técnico Ståle Solbakken havia substituído Antonio Nusa e Aron Dønnum por Oscar Bobb e Andreas Schjelderup. Isso obrigou os volantes brasileiros a flutuar para os lados do campo e tentar defender os espaços explorados por Bobb e Schjelderup. Jogar assim fez o Brasil despovoar o meio-campo, à esta altura, já dominado pela Noruega. Pior: nossas linhas ficaram muito espaçadas! Era questão de tempo para Haaland aparecer. E ele apareceu.


No primeiro gol da Noruega, aos 34 minutos, Andreas Schjelderup ficou à vontade para penetrar pela meia-esquerda, encontrar espaço na frágil marcação de Danilo e cruzar para Haaland se antecipar a Gabriel Magalhães. Os espaços ficaram mais escancarados no segundo gol: Haaland domina a bola, ajeita, escolhe o canto e chuta rasteiro, inapelável, no canto direito de Alisson. O Brasil ainda descontou em um pênalti. Aqui, temos um capítulo à parte, demonstração inequívoca de como a postura política é parte fundamental do comportamento ético nos esportes.


Nos acréscimos, Casemiro resolveu deixar a típica lentidão dos volantes ultrapassados das Copas dos anos 1950-2000 e disputou um cruzamento na área. Sofreu uma cotovelada do zagueiro norueguês e o pênalti foi marcado. Faltava pouco mais de 1 minuto para a partida acabar. O eterno “Menino Ney”, ao invés de pegar a bola e converter a penalidade, preferiu tirar onda, provocando Ørjan Nyland, goleiro da Noruega. Perguntou, em tom de deboche, qual o canto o arqueiro preferia que a bola entrasse. Futebol é um esporte sério e paixão nacional. A cobrança seguiu e o gol não teve qualquer efeito sobre o resultado. Neymar Jr., porém, prosseguiu, com as provocações, mesmo após o gol, provando quem sempre foi. Lembrei das palavras do então técnico René Simões, na partida Santos x Atlético-GO, em 2010, sobre a conduta deste ex-atleta em atividade: “estamos criando um monstro”. De fato, o monstro – e moleque – Neymar Jr. nunca se comprometeu em jogar pela seleção. Esteve em 4 Copas do Mundo, sempre sem condições físicas, como resultado de sua conduta irresponsável. Socos e empurrões em torcedor, aventuras extraconjugais, acusações de sonegação fiscal que lhe provocaram desgastes para ser absolvido, acusações de agressão, assédio, estupro, rompimento de contrato com a Nike por se recusar a colaborar com as investigações no episódio em que foi acusado de assédio pela funcionária desta marca, e, mais recentemente, uso de linguagem machista e misógina sobre a menstruação.


Neymar é isso: um moleque, monstro e a cara de um segmento do País que vota na extrema direita, aquela parcela da classe política sem qualquer projeto de Brasil.


Após a eliminação, caso a CBF passe por uma reformulação, talvez um novo ciclo se inicie na Seleção Brasileira. Do contrário, seguiremos colecionando fracassos e em jejum ainda maior de títulos. Se serve de consolo, enquanto escrevo, acabou México 2x3 Inglaterra. Assisti ao jogo e posso dizer: o Brasil iria passar uma vergonha ainda maior!


FONTE:






 

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