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PSICOLOGIA RIMA COM DEMOCRACIA

há 11 horas
3 min de leitura

Conforme o Código de Ética Profissional do Psicólogo, o referido deve considerar aspectos como a relação de poder e vulnerabilidade da pessoa do paciente. Sua prática deve ser norteada pelo respeito a dignidade da pessoa humana e este mesmo apreço o impede de impor convicções – políticas, inclusive – ao paciente. Considerar as vulnerabilidades, usar sua posição de autoridade dentro da ética prevista e escutar as demandas sem qualquer julgamento são algumas das atribuições do psicólogo. Tamanho compromisso social leva ao raciocínio de uma suposta neutralidade científica. Ante tal cenário, como o psicólogo deve proceder nesse 2º turno das eleições brasileiras?


Antes de responder, é preciso localizar o tempo histórico no qual estamos inseridos. Nessas eleições, a extrema direita elegeu maioria avassaladora na Câmara e no Senado. Neste último, ela tem 49 senadores, apenas 5 a menos do mínimo necessário para protocolar o impeachment de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Basta uma simples negociação para atingir esse quantitativo e levar o impedimento adiante, mesmo sem base jurídica. Sabemos o quanto a extrema direita está ansiosa por isso: Alexandre de Moraes e Flávio Dino são seus alvos preferenciais. Em relação a Câmara, projetos essenciais à classe trabalhadora – como o fim da Escala 6x1 – já sofrem resistência do Partido Liberal (PL), legenda de Flávio Bolsonaro. Não sendo aprovado agora, será pouco provável que seja colocado novamente em pauta. Por outro lado, em seu projeto de governo, Flávio Bolsonaro promete um corte de R$ 250 bilhões – um tesouraço – para retirar direitos em áreas essenciais, como a saúde.


Ante o projeto de morte da extrema direita, “o psicólogo atuará com responsabilidade social, analisando crítica e historicamente a realidade política, econômica, social e cultural”, conforme explicitado no Código de Ética da sua profissão. É sua obrigação acolher pessoas e escutá-las com atenção, sem julgar o sofrimento psicológico, reconhecendo a ocorrência do seu trabalho na macroestrutura de um cenário político e histórico adverso à democracia, em que aspectos culturais e econômicos interferem na saúde mental, ocasionando sofrimento psíquico.


Conforme escrevi em “Por Que Sou Psicólogo?”, meu próprio sofrimento psíquico contribuiu para a escolha da psicologia. Durante décadas, fui abusado psicológica e fisicamente por uma pessoa insuspeita: minha mãe. Cooptada por discursos ultraconservadores, ela enxergou na violência física o mecanismo para me submeter. No entanto, a mágoa, progressivamente ressignificada em sessões de terapia, deu lugar ao perdão sincero e ao reconhecimento da distância como forma de autoestima e respeito a mim mesmo. Foi com a ajuda da psicologia que consegui reestruturar a minha mente, recusar a mágoa seja contra quem for e me tornar psicólogo, para daí me posicionar ao lado da democracia. Por isso, longe do ressentimento contra a campanha de terror promovida pela extrema direita, vejo nela uma excelente oportunidade de vincular minha história pessoal e profissional a laços mais íntimos com a psicologia e seu histórico compromisso ético-político, que data desde o processo de redemocratização. Acolher com carinho as singularidades do sujeito – raça, etnia, gênero, sexualidade, opção religiosa e político-partidária – são meus lemas; lutar contra a extrema direita – principalmente seus discursos anticiência – minha obrigação!


A psicologia não é de direita, esquerda, tampouco centro. Entretanto, o seu caráter social, ao defender a democracia, a diversidade e os direitos humanos, lhe confere uma posição de combate sem tréguas, perante qualquer desumanização. Contra o fascismo eterno, a psicologia, eterna e progressista, rima com a democracia!


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Januário
há 9 horas
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