Quanto vale a palavra de uma mulher?



"Nós percebemos a importância de nossa voz quando somos silenciados." (Malala Yousafzai).

Para você, quanto vale a palavra de uma mulher? Em casos de assédio, estupro ou violência doméstica, é muito comum lermos nas notícias o quanto a mulher precisou se esforçar para provar o que sofreu, e, mesmo quando é possível reunir todas as evidências, ela ainda é colocada contra a parede: "Mas com que roupa você estava? Como assim você estava bebendo em uma festa? Mas você não sabe que precisa se proteger?" Parece absurdo pensar em culpabilização da vítima, mas é absolutamente comum quando se trata de crimes contra a mulher, "Se ela apanha há tanto tempo, por que ainda está com ele?" Exponho aqui o meu pensamento com base em vivências próprias, e infelizmente, já ouvi essas frases mais de uma vez.


Para além das atrocidades supracitadas, nós mulheres somos questionadas a todo momento. Nossa competência, nossas escolhas, nossos corpos. Tudo em nós é passível de dúvida frente a olhares machistas. Reúna cinco mulheres, com diferentes idades, características físicas e classes sociais e pergunte a elas se houve algum momento em suas vidas no qual precisaram se afirmar, todas contarão uma história (ou mais de uma) sobre o assunto.


Seja você mulher ou não, apoie você o movimento feminista ou seja contra, da esquerda ou da direita, progressista ou conservador(a), pergunto-lhe novamente: Para você, quanto vale a palavra de uma mulher? Na foto dessa coluna, está a ativista paquistanesa Malala Yousafzai, a sua palavra quase foi paga com a sua própria vida quando levou um tiro no rosto ao entrar em uma van escolar no dia 9 de outubro de 2012, quando tinha 15 anos, um atentado do Talibã em represália à sua luta pelo acesso de mulheres a educação. Ela literalmente sofreu uma tentativa de homicídio por querer estudar.


Malala nasceu em um lugar no qual os pais recebem os pêsames quando o bebê que estão esperando é uma menina, a opressão muda de acordo com a cultura, mas permanece. Já parou para pensar em quantos livros escritos por uma mulher você leu? Quantos filmes dirigidos por uma mulher você já assistiu? Quando você precisa de uma opinião profissional, se deixa levar pelo gênero na hora de medir a confiança? Quando uma amiga te conta que está sofrendo com um ex possessivo, você a apoia ou diz que ela está exagerando? Se um amigo te diz que a ex é louca, você dá risada ou repreende a fala dele? Em uma sociedade patriarcal, quem é você? Você escuta as mulheres ou quer que elas te escutem? Para além dos seus textões nas redes sociais, você enxerga o sofrimento da sua mãe? Quem é você diante tudo isso? Seus braços estão cruzados ou seu peito arde com tanta injustiça?


Não sei, talvez você também não saiba, ou não queira encarar seus privilégios, mas tenho uma notícia: A palavra de uma mulher tem valor imensurável, e querendo ou não, você terá que ouvir, estamos ecoando por todos os cantos do mundo. Ao lado da opressão, está a resistência. Ao lado da dor, está a resiliência. Ao lado do silêncio, ressoa o grito. Persisto. Escrevo. Afirmo. Ouço. Aprendo. Ensino. Troco. Pesquiso. Sangro. Curo. Teimo. Tento. Caio. Levanto. Sou uma, sou todas, falo por aquelas que não podem: Nossa voz é poderosa, presta atenção nela, ouça a sua amiga, a sua mãe, a desconhecida, não questione a dor delas, não duvide da violência, troque a interrogação pela vírgula, leia mulheres, ouça, ouça, ouça, desça da escadinha dos privilégios, entenda a desconstrução como um processo constante. Malala sobreviveu e tornou-se símbolo da luta pelos direitos das mulheres, e hoje dedica sua vida para causas grandiosas como a sua existência. E ela não está sozinha. Nós nunca estamos. Nós estamos organizadas, nós estamos unidas, nós te perguntamos: Para você, quanto vale a palavra de uma mulher?


"No Paquistão, quando sou proibida de ir à escola, compreendo o quão importante é a educação. A educação é o poder das mulheres." (Malala Yousafzai)

Link da imagem: https://guiadoestudante.abril.com.br/blog/atualidades-vestibular/conheca-a-historia-da-ativista-malala-yousafzai/

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