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RESENHA LITERÁRIA: Gael e a Terra dos Vivos

há 11 minutos
2 min de leitura

Publicado em 2024 pelo Selo Planeta (Editora Planeta) e com autoria de Matheus Peleteiro (1995-), Gael e a Terra dos Vivos é um livro que conta a história de um garotinho negro soteropolitano vivendo um processo de luto pela mãe. Se sentindo desamparado e sem referências, o personagem-título é transportado por acidente à Terra dos Vivos, uma ilha fantástica num mundo além de mapas recentes e de leis da física. Chegando lá, Gael descobre muito por conta própria, mas principalmente a diferença entre viver e existir.


Assim como o “eu” frequentemente precisa de um “outro” para polir sua noção de realidade, Gael é desafiado em suas certezas pelos habitantes da Terra dos Vivos, tão diversos em suas filosofias quanto em espécie: micos, onças-pintadas e gambás mortos-vivos são apenas alguns dos moradores que conversam, discutem, propõem charadas e inundam suas percepções com sentido(s). Se for pra resumir, digo que essa jornada adaptou bem para o Brasil e Salvador do século XXI o inesgotável tema da fantasia “infantil, mas para todas as idades”. O tema daquelas histórias que, enquanto exploram o tema do surreal, também falam muito do real que precisamos encarar: sobre amadurecimento, o ciclo da vida, os conceitos pré-estabelecidos que povoam a humanidade. Temas que são sérios quando discutidos por adultos humanos e não se tornam menos sérios quando são discurso de sereias, caveiras ou por animais de fauna tropical. Talvez essa tenha sido sempre a graça ao ler ficção.


Sendo sincero sobre cada momento no qual pude ver o mundo com os olhos de Gael, eu me senti ansioso pelo próximo passo. Desde sua fuga, passando pelos desafios na Terra dos Vivos até sua epifania na adolescência, é inevitável reconhecê-lo como uma pessoa palpável e aprender duas ou três coisas com ele. Aprendizado que vem com uma linguagem acessível e um ritmo de fábula digno de ficções bem-escritas.


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Imagem do acervo pessoal do colunista.


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