RONALDO (SEPULCRO) CAIADO, NÃO VAMOS COMER SEU REGGAE!
- Armando Januário

- há 16 horas
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A dinâmica escravagista deixou uma parcela da sociedade brasileira com privilégios considerados por si mesma, intocáveis. Essa porção – branca e segura dos mimos patrocinados com dinheiro público – é a mesma que se nega a pagar mais impostos. Ela segue bancando as eleições dos responsáveis em perpetuar o narcisismo do pacto arquitetado para proteger seus interesses, haja vista sob sua perspectiva, a própria se considerar o modelo perfeito de povo. Esse jogo de poder ocorre de maneira sutil, no qual os diferentes – negros, sobretudo – são privados de mobilidade social e empurrados a novas formas de escravidão, enquanto apenas quem pertence ao mesmo time racial acessa oportunidades de crescimento.
Não obstante, com Lula 3, mais de 14 milhões de pessoas saíram da pobreza, mais de 7 milhões trabalham de carteira assinada e mais de 10 milhões entraram no Ensino Superior. Isso representa dizer que em pouco mais de 2 anos, milhões de brasileiros estão comendo mais, trabalhando mais e estudando mais. Longe de encarar o terceiro mandato de Luiz Inácio como o melhor dos mundos, é preciso reconhecer as transformações socioeconômicas provocadas por um governo ocupado em melhorar a vida dos brasileiros. Ante essa realidade insuportável para determinados segmentos das elites, seus representantes reagem com medo e ódio.
O presidenciável Ronaldo Caiado (PSD-GO) afirmou que, caso eleito, “o povo baiano vai se sentir alforriado”. A fala ocorreu durante a convenção do PSD. Nela, Caiado foi oficializado para concorrer ao Planalto e Antônio Carlos Magalhães Neto (União Brasil-BA), ao Palácio de Ondina. Curioso é ver um candidato diretamente ligado a ACM Neto envolvido em uma questão racial. Em 2022, Grampinho se registrou como pardo junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com direito a bronzeamento artificial da influencer Carol Peixinho. Isso foi um dos fatores de sua derrota acachapante para Jerônimo Rodrigues (PT-BA), no 2º turno. Mas, o que é alforria e em qual contexto a fala de Caiado está inserida?
A carta de alforria era um documento no qual o proprietário de escravizados subscrevia a liberdade. Esse documento foi utilizado pelos quase 4 séculos de escravidão no Brasil. As principais formas de se tornar um “negro forro” – expressão utilizada para o alforriado – eram através da compra ou por tempo de serviço. Nessa perspectiva, quando Caiado fala em alforriar a população baiana, ele condiciona essa suposta liberdade ao voto. Ser eleito presidente é condição sine qua non para que os baianos se libertem da escravidão, na opinião do candidato-ruralista, imposta pelo narcotráfico e com a leniência do PT, governando o Estado por 20 anos.
De fato, a Bahia tem problemas estruturais na segurança pública. As diversas facções criminosas no País desenvolveram a estratégia de ocupar as cidades do interior, principalmente as mais vulneráveis e com maior facilidade para escoar a produção de drogas. Jerônimo tem buscado soluções: só este ano foram efetivados 2 mil policiais militares e o governador pretende abrir
concursos para Polícia Civil, Departamento de Polícia Técnica, Corpo de Bombeiros e Polícia Penal. Entretanto, essas ações produzem respostas a curto prazo, sendo necessário o constante combate a fome e ao desemprego. Enquanto houver no parlamento brasileiro figuras financiadas pelo tráfico, a dinâmica da violência seguirá a mesma, podendo, inclusive, estender seu raio de ação. Isso mesmo: existem parlamentares patrocinados com dinheiro de traficantes. Por isso, a promessa de Caiado – direcionada a Bahia e ao Rio de Janeiro – é típica de um candidato até aqui com apenas 5% de intenção de votos nas pesquisas de opinião...
Devemos ainda analisar a proposta do ex-governador de Goiás em um contexto mais amplo. Na sua visão, nós, baianos, seremos alforriados por ele, ao escolhê-lo, através do voto. Detalhe histórico: tanto a carta de alforria, quanto a Lei Áurea empurraram a população negra à miséria. Antes de abolir a escravidão, o governo dos brancos, prevendo o encerramento da escravidão, implementou quase 40 leis – municipais e federais – para assegurar a indigência dos negros e seus descendentes. O que Caiado está propondo, portanto, passa longe de uma revolução estrutural: a sua fala – racista, como é próprio dos ventríloquos da Casa Grande – externaliza livrar a população baiana dos traficantes, desde quando ele e ACM Neto sejam eleitos. Temos, assim, um sistema de compra de votos, alicerçado no discurso falacioso e eleitoreiro de quem desconhece a complexidade da violência, sabe que dificilmente chegará ao segundo turno e prometeu dar indulto a Jair Bolsonaro, o presidiário que em seus 4 desastrosos anos de mandato facilitou a compra de armas e tem ligações com o crime organizado.
Não seremos escravizados por você, nem por ACM Neto e tampouco pelo PT, Caiado! Antes de falar em alforria, olhe para sua família. Vocês têm mais de 1 século ocupando mandatos políticos; do fim do Brasil Império até os dias atuais, você e sua gente continuam olhando para nós como condenados ao caos, tal qual sua tia-avó, Diva Caiado, que em entrevista, disse ‘se lembrar do dia da alforria e que os escravos cantavam e dançavam de alegria e beijavam os pés do benfeitor’[sic]. Por outro lado, a escolha dos baianos pelo Partido dos Trabalhadores é pragmática. Em 20 anos, nosso Estado conheceu avanços históricos: agricultura familiar, infraestrutura, construção de hospitais e policlínicas são alguns exemplos. Existem problemas visíveis e a segurança pública é um deles,
contudo, cabe aos eleitores cobrar soluções do Governo do Estado da Bahia e não recorrer a um oportunista e megalatifundiário, com seu tio e primo, Antônio Ramos Caiado Jr. e Emival Ramos Caiado, respectivamente, na lista suja do trabalho escravo.

Mais de 80% da nossa população é negra, então, não vamos cair na sua lábia. Em relação ao seu candidato a governador, ele já foi reprovado em 2022, então, nos faça alguns favores: diga a Netinho para largar de preguiça, gravar mensagens REAIS de apoio aos candidatos da base e não ficar na espinha mole, usando IA. E outra: mande Bruno Reis construir uma policlínica! Não vamos comer seu reggae!
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Imagens retiradas no banco de dados gratuito Pexels.com

Excelente texto!
Gratidão!