top of page

SOTEROPOLITANO: quando o nome da cidade vira destino


Quem nasce em Salvador é soteropolitano. E não é só um gentílico, é uma declaração de mundo. “Soterópolis” vem do grego: sōtḗr (salvador) + pólis (cidade). Salvador, portanto, é a cidade da salvação. E quem nasce nela carrega no próprio nome essa herança simbólica, quase mítica, que mistura fé, história, corpo e território. Não se trata apenas de tradução erudita; trata-se de uma maneira antiga e poética de dizer o que a cidade sempre foi: encruzilhada de povos, porto de dores e de recomeços, chão onde o sagrado e o profano aprenderam a caminhar juntos.


Ser soteropolitano é nascer num espaço onde o tempo não anda em linha reta. Aqui, o passado não passou, ele canta, dança, ora, reza, protesta. O nome guarda essa densidade: não é um rótulo administrativo, é uma memória viva. Salvador não é só capital; é corpo coletivo, é cidade que salva porque insiste em produzir vida mesmo quando a história tentou esmagá-la.


Por isso, dizer “sou soteropolitano” é mais do que dizer onde se nasceu. É afirmar que se vem de uma cidade que aprendeu a sobreviver transformando dor em ritmo, violência em invenção, silêncio em canto. O nome não nos explica apenas; ele nos convoca. Convoca a habitar a cidade como travessia, a existir com o pé no chão quente da história e o olhar aberto para o que ainda pode nascer.


Soteropolitano é quem carrega Salvador não só no endereço, mas no modo de estar no mundo. É quem entende que aqui, desde sempre, viver foi um ato de resistência, e também de beleza.


Um grande Xêro no coração!





 

bottom of page