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SÍSIFO

há 9 horas
2 min de leitura

*Juliana Maras


“É imprescindível imaginar Sísifo feliz.” Conhecemos Sísifo por ser aquele homem que todo dia tem que levar uma pedra até o topo da montanha para, em seguida, ver ela rolar até o chão e no dia seguinte, ter que fazer tudo de novo. Uma das versões desse mito é que essa cena se passa no inferno, onde Sísifo, após ter morrido de velhice, é punido com esse castigo por ter sido considerado um grande rebelde.


Sísifo ficou na minha cabeça por bastante tempo na semana passada enquanto eu refletia sobre porque escolho o que está presente na minha vida e como eu vivo essas escolhas. Uma outra pessoa pode ter uma vida muito parecida com a minha mas viver ela muito diferente, ou até mesmo, uma terceira pessoa pode ter uma vida completamente diferente da minha e viver ela de uma forma muito parecida. Ou seja: (i) de certa forma escolhemos a vida que levamos e (ii) a relação que temos com aquilo que escolhemos ou deixamos de escolher é o que determina a qualidade da vida que tenho.


Os mitos, na minha percepção, nos ajudam, de uma maneira muito sutil, a olhar para nossos próprios processos, podemos nos identificar, podemos projetar nossos próprios conteúdos, podemos perceber o que em nós é afetado após entrar em contato com eles. Nesse caso, Sísifo nos convida a olhar para aquilo que repetimos, para a nossa rotina, para que então, possamos nos questionar e, se for o caso, criar novas rotinas ou novas relações com a rotina atual.


Porque será que é imprescindível imaginar Sísifo feliz? A quem essa afirmação serve? E se ele não estiver feliz, será que há espaço para sentir outra coisa? Porque generalizamos e estigmatizamos os “grandes rebeldes”? Não dei conta de responder essas perguntas, mas elas me perseguem até agora e compartilhá-las com vocês me pareceu pertinente. Você pensa sobre isso também?


Por aqui, sigo fazendo o possível para subir com as minhas pedras montanha acima, em alguns momentos subindo com pedras mais leves, em outros subindo mais devagarzinho. Tem dias que a pedra não chega até o topo e eu a uso como descanso, converso com a minha auto cobrança e chegamos a um combinado. Talvez a gente não consiga escapar dessa vida, assim como Sísifo, mas entre o escapar e a repetição, tem muito campo para criar. Não acha?


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*Juliana é administradora que vem se tornando psicóloga. Utiliza o esporte como guia para os enfrentamentos da vida e tenta se conscientizar dos processos que são seus para não transbordar nos outros. Acredita que o inconsciente comanda o mundo.


Crédito da imagem: Shutterstock.com



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