Tears for Fears, A morte e o poder da arte



A arte é uma das coisas mais valiosas para a vida do ser humano. É a ferramenta usada para expressar a nossa criatividade. Mas, ela pode ser muito mais profunda do que "apenas" isso.


Pode ser o divisor de águas na vida de alguém, como foi na minha. Pois foi por causa da música que deixei de ser o "gordinho solitário e feioso" e passei a ser alguém com autoestima e vontade de sempre superar os obstáculos que aparecem em minha vida.


A música pode ser tanto uma turbina para a sua felicidade, quanto um colo para o seu choro. E é essa função de tocar nos nossos sentimentos mais profundos que me leva ao Tears for Fears. Uma das bandas que marcaram época sob o comando dos britânicos Roland Orzabal e Curt Smith.


Se você estranha o nome, com certeza já ouviu suas composições. Se não está lembrando, bote para tocar Head Over Heels, Shout e Everybody Wants to Rule the World. Eu já prevejo você soltando aquele "ah, são eles!!".


A banda lançou no dia 25 de Fevereiro de 2022 ( estou honrado de ter sido no dia do meu aniversário) o álbum The Tipping Point. Primeiro álbum de estúdio deles desde 2004.


Enquanto escrevo esse texto, ouço pela primeira vez o álbum inteiro. No entanto, já tinha escutado a faixa título. Que é uma música com letra incrivelmente forte e instrumental impactante a qual chama a atenção desde os primeiros segundos de reprodução. E a origem dessa música (e do álbum), é muito mais impactante do que se imagina.


Não é apenas chocante como mostra também o poder da arte na vida de uma pessoa. Roland Orzabal foi casado durante anos com Caroline Orzabal. 35 anos, para ser mais exato. No entanto, os últimos 5 anos de casado, foram, de fato, o inferno pessoal de Roland Orzabal.


Tanto o músico quanto sua esposa tinham problemas com bebidas. E, sua esposa, que tinha depressão e fazia uso de medicamentos controlados, vivia em negação em relação em como a bebida afetava sua vida. Logo, os problemas de saúde apareceram de forma brutal.


Caroline passou a desenvolver demência relacionada ao consumo excessivo de álcool. Roland esteve ao seu lado enquanto lutava contra seus próprios demônios.


Ao longo desse tempo, via os amigos se afastarem. No entanto, Roland tinha uma válvula de escape: a música. Enquanto sofria com o que vivia, escrevia e se apegava cada vez mais na arte em que fez carreira.


Após anos de luta, Caroline finalmente descansou, no verão de 2017. Roland, por outro lado, viu sua vida desmoronar por completo ao perder sua companheira de vida, mãe de seus dois filhos. No entanto, se percebendo no fundo do poço, decidiu que era hora de cuidar de si e decidiu se internar numa clinica de reabilitação para se livrar do vício que enfrentava.


Recuperado, via que tinha chegado a hora de chamar seu colega e amigo de longa data, Curt Smith. Logo, foram para a segunda casa de todo músico: o estúdio. Lá, trabalharam nas composições feitas durante o momento mais tenebroso da vida de Orzabal, que se tornaram o primeiro álbum feito por eles desde Everybody Loves a Happy Ending, que indico para quem curte um rock mais clássico.


The Tipping Point começou a dar as caras com os singles Break The Man, No Small Things e, é claro, a faixa homônima. Lembra que eu comentei que estava ouvindo o álbum pela primeira vez enquanto escrevia esse texto?


Pois então, em contraste com sua a história pesada e angustiante por trás das músicas, o álbum trás a sensação de superação. Você consegue ver Orzabal vencendo seus demônios ao longo das composições. Um verdadeiro fênix ressurgindo das cinzas. Se você entende inglês, prepare-se para se emocionar com cada uma das faixas.


Musicalmente, como sempre o Tears for Fears traz um show a parte nos seus instrumentais e na produção de seus discos. E, para um grupo que não lançava nada a 17 anos, o álbum tem uma sonoridade super atual. Que agrada tanto os fãs mais antigos do grupo quanto a nova geração de ouvintes.


De fato, o álbum é lindo. É emocionante. É bem feito. Bem produzido. Mas, acima de tudo, é um troféu. Uma vitória para seu compositor que venceu a pior guerra de sua vida. E, que decidiu contar sobre suas batalhas em um álbum que vai ficar para a história da música.


E aí eu volto para o que eu falei no começo do texto: A arte é uma das coisas mais valiosas para vida do ser humano. Pode ser um divisor de águas. E, no caso do The Tipping Point, pode ser o colo para o choro, mas também pode ser a trilha sonora da maior vitória de alguém. E, consequentemente, a turbina para essa nova felicidade.


Imagem: <https://lorena.r7.com/public/assets/img/postagens/post_8411.jpg>

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