TOC TOC


* Por Yago Pedroza


Transtorno Obsessivo Compulsivo, o popular T.O.C. Muitos fazem a analogia desse distúrbio com quadros tortos ou mania de limpeza ou de organização. Mas, as "manias" vão muito além disso. Em muitos casos, evoluem para pensamentos repetitivos (quase sempre negativos) que acabam por influenciar na vida pessoal e profissional do indivíduo. No entanto, o T.O.C. também pode ser uma ferramenta. E eu, como uma pessoa que passa por tratamento psicológico e psiquiátrico resolvi trazer um pouco da minha experiência e como consigo usar o meu distúrbio positivamente na minha profissão como músico.


Lido com o Transtorno Obsessivo Compulsivo desde minha infância. Seguindo desde manias de limpeza, organização até pensamentos negativos sobre mim e sobre o mundo a minha volta. O ato influencia o pensamento que influencia o ato, se tornando uma bola de neve. Felizmente, o diagnóstico veio e assim começaram três batalhas: a aceitação, o tratamento e a forma de lidar com isso, que seria uma companhia para toda a minha vida. Obviamente não foi nada fácil. Mas, com muita força de vontade, tudo foi e segue melhorando.


Contudo, sempre tive medo de como essa minha condição iria afetar a carreira que sonho desde que me entendo por gente em seguir. Durante alguns acompanhamentos que fiz, soube de histórias onde o portador do transtorno usava o mesmo como algo crucial para seu sucesso. E também fui percebendo algo que foi um divisor de águas: muito do que me faz ser um bom músico vem do... T.O.C.!


Como muitos colegas meus comentam, eu tenho uma facilidade de pegar músicas de ouvido. Como, por exemplo, meu primeiro show com a Astória, onde aprendi quase 20 músicas para tocar no dia seguinte. Como é uma exigência da banda, tinha que tocar dando atenção a cada detalhe. Então, minha galera... sem o T.O.C... jamais teria conseguido fazer isso. Pois ele me "obriga" a atingir um certo perfeccionismo nas minhas execuções em gravações e shows. Isso acontece também quando vou estudar. Eu vou querer aprender cada detalhe do que estou me propondo a aprender simplesmente porque o T.O.C., na maioria das situações, não deixa que eu deixe as coisas pela metade.


Mesmo que de forma inconsciente, o Transtorno Obsessivo Compulsivo é o anjo e o demônio da minha vida. Parece até um tanto quanto estranho falar dessa forma, mas é a mais pura verdade. E você me pergunta "como eu sei qual lado dele está a tomar minha mente agora?". Depende apenas do meu ponto de vista. Do meu estado de paz. Da minha calma para analisar toda a situação e descobrir o meio termo entre bom e mal. E como eu descobri isso? Com a ajuda de um profissional adequado! Hoje, mantenho meu tratamento com o profissional que mais confiei. E tudo tem se tornado mais leve. Inclusive, leveza é essencial para lidar com o T.O.C., até porque, sem isso, eu jamais teria conseguido escrever essa coluna que você acabou de ler.


*Baixista e professor de música. Instagram: @yago.pedroza



Link da imagem: https://inpaonline.com.br/blog/transtorno-obsessivo-compulsivo/



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