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TODOS OS SENTIDOS: POEMAS E SUAS HISTÓRIAS

Capa do livro
Capa do livro

Abaixo alguns dos meus poemas do livro “Todos os sentidos: poemas e suas histórias":


Se para


A gente não se separa

A gente pausa

Assiste a vida continuar

E os dias serão estranhos

de cores inexplicáveis.

Não pense em dor

É a cor de tudo

Cheia dessa coisa

Amor

Falta

Falta

Amor

São novas asas

Longas Lindas Assombrosas

Que despertam em alto céu dois seres em pausa.

________


Quando a gente fala: ‘Acabou, não quero mais você’, estamos inventando um fim que não existe. A gente acaba a procura, a conversa, a companhia. Mas nossa cabeça continua embalada e ali ela fica. Ansiosa e perdida, ela espera os acontecimentos seguintes porque, convenhamos, não há fim no encontro.


Uma coisa lá dentro fica de tocaia, certa de que a sua hora vai chegar: o enlace, o olho, o toque, a roçada de pernas estão em algum espaço-tempo e ponto. Então, fica essa pira sem sentido nadando nos pensamentos, investigando nossas caminhadas, assistindo nossas escolhas e sussurrando: ‘Será que vai ser hoje?’


Chá das seis


A fé esteve ali


Parou


Não chegou ao amor

_________________

Eu cheguei. Sentei num canto e cansei.

A fé serviu pra ser a certeza daquilo Tudo. A espera espremida nos trechinhos tá zoando a cabeça. Olho pra dor de barriga e a vida perdeu seu rumo. Ia atrás da luz e traguei solidão. Ganhei um milhão de acertos e ainda divago no meio (em fé fervida). Era só pra ter Sua atenção:

- Tá servida?


Bolo de rolo


Além da dor

tem mais coisa

bonita, brilhante

Mas não tiro do forno hoje


pode ter tiquinhos de saudades

________________


A mistura nunca é de uma coisa só. Somos tudo e a gente expurga tantos. De vez em vez, sai um doce. Bem pouquinho. Não quero dar. Não deixo sair. Se é misturado demais, vai que eu vá junto.

Preciso de mim,

preciso de mim,

preciso de mim.


Pulso


A catapulta dor

me tirou do chão

para me fazer toda

Celestial

Ser arremessada foi o melhor final!


- Já sentiu tanta dor que o medo acabou?

______________


Tava tão assustada que nem tem mais susto. Tudo ficou pequeno. De menos, ficou simples. Fui lançada para dor anestésica. E ficou nas nuvens. Sonhou com os ventos. Perdeu tudo que o mundo ficou mudo. E amou.


Gato por lebre


Não é amor, meu amor

É o efeito de um emaranhado bem-feito

____________


Primeiro nunca é amor. A gente se enrola todo e aquilo é tão mistura (porque a gente já é tanto, tanto, imagina dois!) que parece até amor. O jeito é esperar o efeito baixar a bola. Voltar às segundas vazias. Aguardar as caixas debaixo da cama - sujar-se de lama e as portas se abrem. Amor é o lado infame.


A conta


Um dia

nada vou decidir

Quando olharem, com espanto, falando:

O que foi que aconteceu?


Encherei minha boca pra dizer:

Não fui eu.


Fulano que escolheu


Uma alta gargalhada se descarrerá

da minha alma lavada

Serei novamente gente

Em roupa usada

(a culpa não mais amargará minha sina)

Estarei como rima de nova palavra

alva

Um ser isento de pauta!

_____________


Deslizo pelos picotados papéis da minha escrivaninha. Em bagunça e enredo, eles fazem todo o sentido e estão ali me lembrando que as horas não são minhas. Sou delas, como cada mulher que encontro. Sempre arrastadas pela amargura tirania do endireitamento: Arruma um emprego. Arruma um marido. Arruma a casa, a pia, o chão, o leito! E aproveita para arrumar os peitos. Ajusta cada milímetro do tudo e quando ninguém mais souber onde começa e onde termina, ouça as perguntas, desenhe as respostas. E talvez você não saiba nem um milímetro da certeza que as pessoas esperam. Pautas e pautas se retroalimentando na infinitude dos pensamentos. Mas acho que um dia eu vou acordar sem elas. Serei mais nua do que as tardes sem nuvens e nem vou saber como cheguei a elas. Lisa, limpa e sem explicações.


Sobre o livro: essa obra é sobre uma jornada de olhares. Da maldição à redenção. Do mundo até mim mesma. Sentidos? Do sentido de sentir, como experiência tátil e real, as dores de viver. Sentido de sentidos a todo vapor: olhos, nariz, boca, ouvidos e língua. Sentido de fazer sentido, porque cada poema tem uma história, uma conversa contigo. Sentido porque eu não sei qual sentido fez para você e nunca saberei. Sentidos? São todos. E suas histórias.

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