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"VAMOS PRECISAR DE TODO MUNDO". ELEIÇÕES 2026 - DOMINAÇÃO RELIGIOSA: O Projeto da Extrema-Direita

há 3 horas
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Há poucos dias do 1º turno das eleições, uma acirrada disputa pela Presidência é indicada pelas pesquisas. À exceção da CNT/MDA, na qual Lula e Flávio Bolsonaro tem, respectivamente, 40,6% e 30,4%, no 1º turno e 47,3% e 40% no 2º, todas as pesquisas apontam para diferenças nas intenções de voto muito estreitas. Flávio Bolsonaro vence em 8 estados e no Distrito Federal, enquanto Lula vence em 11, com empate técnico nos restantes, inclusive Minas Geras, onde o presidente aparece com 35% contra 30% do bolsonarista. Quaest e Datafolha apresentam resultados nacionais apertados: 37% a 33% e 40% a 36% para Lula e o adversário, respectivamente. Logo, qualquer fato novo pode decidir o resultado.


Em 23/09/2026, restando 10 dias para o 1º turno, em um movimento de interferência direta, favorável ao vassalo 01 do clã Bolsonaro, a Meta – proprietária do WhatsApp, Instagram e Facebook – desativou os anúncios do perfil de Lula em sua página do Facebook. Por mais que o Partido dos Trabalhadores (PT) exija uma explicação, o ocorrido segue sem qualquer justificativa, endossando a tese de interferência dos Estados Unidos da América (EUA) a favor do principal adversário de Lula. Acuada pelos índices das pesquisas mostrando crescimento do adversário, a campanha petista percebeu a necessidade de se reinventar nessa reta final e partiu para o contra-ataque.

 No âmbito das políticas sociais, o governo reajustou o Bolsa Família em 15,04%, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Flávio Bolsonaro chamou o aumento de “merreca”, a oposição ingressou junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando manobra eleitoral e o Supremo Tribunal Federal (STF) foi acionado. O Ministro Gilmar Mendes decidiu pela legalidade do aumento. De fato, tanto a proibição das bets quanto o aumento do Bolsa Família, às vésperas das eleições, parecem, à primeira vista, articulações visando assegurar a reeleição. No entanto, o próprio Lula, no último domingo (27), em entrevista ao Canal Livre, na BandNews FM, afirmou que o aumento ocorreu apenas agora em função da sobra de espaço fiscal. Disse não se importar se isso seria eleitoreiro ou não; para ele, o mais importante é ‘o povo não ir para o sacrifício’.

 Todavia, um fato inesperado tomou a cena: a questão religiosa. Na última quinta-feira (24), a jornalista Maria Cristina Fernandes, do “Em Pauta”, no Globonews, disse: “tem um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos que está mobilizando um projeto de lei para tirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira que pode sim surtir efeito, entre os católicos, a favor do Lula”. Horas depois, o canal se desculpou, alegando que a informação datava de dezembro de 2007, a partir de um projeto de lei apresentado por Victório Galli, deputado federal àquela época; o projeto foi arquivado em agosto de 2008. Tarde demais: só nas primeiras 24 horas, 669,9 mil menções foram realizadas. Em vão, Flávio Bolsonaro correu para desmentir qualquer intenção de depor Nossa Senhora, ele que prometeu “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. Novamente, o STF foi acionado. André Mendonça acolheu a solicitação de retirada do post do humorista Antonio Tabet, contudo, o ministro Flávio Dino cassou a decisão, mantendo a postagem de Tabet, no X: “A família miliciana odeia tanto mulher preta que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!”

 Não é recente o fenômeno de bandeiras de Israel pintadas nos muros de favelas no Rio de Janeiro. Também está longe de ser esquecido quando o bispo da Igreja Universal Sérgio Von Helder chutou Nossa Senhora Aparecida, em 12/10/1995, data celebrada pelos católicos à padroeira do Brasil. Entretanto, para alguns, a Terceira Onda Neopentecostal talvez seja novidade. Sectário, esse movimento iniciou sua trajetória na década de 1970. Entre seus objetivos podem ser encontrados a teologia da prosperidade, a guerra espiritual e a teologia da dominação. O neopentecostal tem que ser próspero, haja vista seria esta a vontade de Deus. Ademais, ele está constantemente em guerra contra as forças do Mal, posto que somente a doutrina que segue é verdadeira. Por isso, torna-se essencial ser protagonista em todas as esferas sociais, inclusive a política. Discordamos de Maria Cristina Fernandes e recusamos a afirmação da existência de um projeto evangélico para retirar Nossa Senhora da mais alta posição na qual foi colocada. Todavia, temos a plena certeza da existência do desejo do movimento evangélico em se impor enquanto principal grupo religioso do País e tal vontade constitui um conjunto de práticas em curso.

Em diversos estados, templos de religiões do Povo de Santo são destruídos por traficantes evangélicos. Entre as três bancadas mais poderosas do Congresso, a Frente Parlamentar Evangélica (FPE) por vezes pauta projetos para aumentar seu raio de influência e forçar a sociedade brasileira a engolir suas crenças. Longe de afirmar que a totalidade dos evangélicos pensa desta forma, admitimos que salta aos olhos o quanto lideranças evangélicas deixam sua posição opressiva bastante clara. Para Silas Malafaia e Edir Macedo, por exemplo, o Brasil tem a obrigação de se tornar uma espécie de Gileade e o mecanismo para chegar a isso vai desde atacar os povos originários, derrubando os vetos do presidente Lula na Lei do Marco Temporal (14.701/2023), passando por vigiar o conteúdo programático da Educação Básica, até obrigar meninas violentadas a seguir com a gravidez. Não basta ser próspero e ter a certeza da verdade. É preciso impor, com violência, se necessário, as próprias crenças. O proselitismo deve ser feito com uso da força e a conversão, conquistada, através de todos os meios possíveis. Na prática, o que as lideranças evangélicas pregam é que seus fiéis sigam em contínuo proselitismo, gritando em microfones, mesmo em altas horas da noite, “expulsando demônios”, “promovendo a cura do homossexualismo”, “falando em línguas”, enfim, operando todo um circuito de estruturas de controle e alienação.

Como vimos, a campanha do presidente Lula ao trazer para o centro da discussão o reajuste do Bolsa Família e a proibição das bets, tentou pautar a oposição, e, com isso, reverter a pressão sobre si. O que não se esperava era que a máscara de um movimento liderado, em parcela majoritária, por canalhas, que utilizam o nome de Deus e a baixa escolaridade dos adeptos para tomar dinheiro da população, caísse mais uma vez aos olhos de todos. Infelizmente, muitos ainda vão seguir acreditando no projeto destas pessoas ávidas e gananciosas, seja pelo dinheiro, seja pelo poder. Tal evento, a despeito de ser fake news, acendeu o debate sobre quem desejamos como presidente, mas, também quem pretendemos como deputados, senadores e governadores. Mais ainda: qual o projeto de país queremos?


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Januário
há 2 horas
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