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“VAMOS PRECISAR DE TODO MUNDO”: Eleições 2026, O Maior Teste da República Nova

há 1 dia
5 min de leitura
Presidente Lula e Vice Presidente Geraldo Alckmin
Presidente Lula e Vice Presidente Geraldo Alckmin

Em Como As Democracias Morrem, Steven Levitsky e Daniel Ziblati comparam o atual governo dos Estados Unidos da América (EUA) com a chegada de Hitler e Mussolini, respectivamente, na Alemanha e Itália, dos anos 1930. Segundo os autores, a democracia não é extinta através de operações militares. Antes, a sua morte é lenta e acontece através da longa erosão das instituições, como o Poder Judiciário. Nessa perspectiva, o que assistimos em 15 de setembro de 2026, abrange uma estratégia em curso para golpear a democracia brasileira. A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) é mais um passo para impedir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Caso a vitória aconteça por uma pequena margem de diferença, o governo Donald Trump irá intervir, podendo até mesmo utilizar sua própria rede, a Truth Social, para afirmar que Lula é líder de um Estado narcoterrorista. Diferente da gestão Joe Biden, na qual os EUA emitiram um documento reforçando a legitimidade das Eleições 2022, o Norte Global, sob Trump, adota uma série de medidas para garantir a eleição de Flávio Bolsonaro ou qualquer outro fantoche, disposto a entregar água, terras raras e cobre. Tarifaço, classificação do Brasil na lista de nações com organizações terroristas e alegação de que nosso país não enfrenta o narcotráfico “...enquanto os outros países da direita do nosso subcontinente combatem”, são demonstrações do quanto o resultado desse pleito está sob risco de ser desconsiderado, sob o pretexto de fraude.


À exceção de Brasil e Uruguai, toda a América do Sul está alinhada aos interesses estadunidenses. Javier Milei ajoelhou a Argentina aos pés dos EUA, que tem agora acesso irrestrito para explorar as riquezas daquela nação, como o xisto. Na Venezuela, o cenário não é diferente: após sequestrar Maduro e fazer de Delcy Rodriguez uma marionete, os EUA avançam sobre 17 campos de aproximadamente 65 bilhões de barris de petróleo. Esses movimentos têm o firme propósito de drenar os recursos da América Latina e afastá-la de qualquer relação comercial com a única superpotência que ameaça Washington. Ao mesmo tempo, a obsessão de Trump por uma ordem unipolar reforça seu caráter autoritário e neofascista, dialogando com movimentos neonazistas, a exemplo da Alternativa para a Alemanha (AfD), vitoriosa nas eleições Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste da Alemanha.


Trump foi eleito para retomar a hegemonia dos EUA sobre a América Latina. Quando o seu governo imperialista olha para a relação entre Brasil e China, percebe uma grave ameaça. Pequim é nosso principal parceiro econômico desde 2009. Só este ano, entre janeiro e julho, o comércio brasileiro atingiu US$ 113,99 bilhões, com uma balança comercial favorável de US$ 24,06 bilhões. Nossa pátria é o principal rumo dos negócios chineses e ainda temos com eles significativas parcerias tanto de infraestrutura, quanto através da geopolítica do BRICS. Os EUA sabem que a criação de uma moeda para liquidar as transações entre os países integrantes do BRICS – sobretudo entre Brasil e China – tem chances reais de ocorrer e representa a derrocada da sua plataforma econômica e influência mundial. O País, atualmente com uma dívida que dobrou nos últimos 10 anos e está na casa dos US$ 40 trilhões, entraria em colapso, haja vista ser nosso segundo maior parceiro comercial. Sofrendo de uma crescente desconfiança internacional quanto a sua economia e vendo aumentar os negócios entre Brasília e Pequim, Trump pressionou o Banco Central do Brasil para alterar as regras do Pix. O governo brasileiro rechaçou a maior parte desta exigência. Não conseguindo destruir nosso meio de pagamento mais importante – e gratuito – a ofensiva passou, então, para outro capítulo.


Conforme o empresário e escritor José Kobori, o ministro do STF André Mendonça, tal qual Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, realizou o mesmo treinamento no Departamento de Estado dos EUA. De forma simples, Mendonça é a peça no tabuleiro de Trump para desgastar a imagem do STF perante a sociedade brasileira. Por esse caminho, estamos assistindo a continuidade do 8 de janeiro de 2023, quando pessoas autoidentificadas como “patriotas” invadiram e depredaram o Palácio do Planalto, o STF e o Congresso Nacional. Naquele momento, o STF detinha uma imagem consolidada e capaz de levar os envolvidos a devida punição: ex-ministros, generais e até mesmo o ex-presidente Jair Bolsonaro cumprem pena. Contudo, o status de instituição guardiã das leis, infelizmente, sofre grave corrosão, quando dos evidentes e estreitos elos entre ministros do STF e o caso Master. Alexandre de Moraes e sua esposa utilizaram aeronave de Daniel Vorcaro; quando André Mendonça era sócio do Instituto Iter, recebeu um montante de R$ 5,2 milhões de um parceiro de Vorcaro; Dias Toffolli recebeu R$ 35 milhões de Vorcaro através de um fundo para investir no Tayayá Aqua Resort, propriedade do ministro; os filhos de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques tem envolvimento com Vorcaro, mas, um curioso detalhe envolve o ministro Nunes Marques: ele se encontrou com uma prostituta paga por Vorcaro. Comprovados esses fatos, teremos metade do STF envolvido na maior fraude bancária da história brasileira. Quanto desgaste, às vésperas do 1º turno das eleições!


Concluída a eleição, em caso de vitória do presidente Lula por estreita margem de votos em um eventual segundo turno, os EUA terão a tempestade perfeita para instaurar o caos no Brasil. A tática, já sabemos, até porque foi utilizada ainda em 2018: Bolsonaro foi eleito no 2º turno e mesmo assim disse que as urnas foram fraudadas, do contrário, teria vencido no 1º. O então presidente chegou a ponto de afirmar que apresentaria provas, algo nunca feito. Essa falsa tese vai aumentar a fervura do bolsonarismo, esse fascismo à brasileira, cadela no cio, ávida para ser a meretriz dos EUA. Nesse ínterim, Trump pode não reconhecer o resultado do pleito e colocar em prática o plano de intervir no Brasil diretamente, seja com sanções econômicas mais duras, seja com uma intervenção militar, através dos lacaios bolsonaristas existentes nas polícias estaduais. Todo esse quadro é uma suposição, passível de ocorrer, caso as instituições democráticas não estejam alertas.


Alegando impossibilidade de deliberar, dada a discussão acirrada entre Moraes e Mendonça, o ministro Flávio Dino pediu vistas do processo. Ele tem até 90 dias corridos para se manifestar. Entendemos nesse gesto uma medida para preservar o STF. Sagaz e lúcido, Dino tirou da pauta a munição dos inimigos da democracia, os mesmos que agora atacam o voto feminino. Diminuído o estrago na imagem do Judiciário, o Executivo vem tomando medidas para o reconhecimento internacional da legitimidade das eleições. Lula tem reforçado a posição estratégica do Brasil com China e Rússia. Neste pormenor, identificamos a sua real intenção: independente do resultado das urnas, é bastante provável que tanto Pequim quanto Moscou sejam os primeiros a reconhecê-lo. Isso pode neutralizar o ímpeto de Trump e esfriar suas intenções golpistas. Ademais, contribui para o fortalecimento das instituições no contexto após a divulgação dos resultados.


O planeta está com os olhos voltados para o Brasil. A República Nova tem o seu maior desafio. Nossas riquezas, soberania e cultura estão em jogo. Não se trata de gostar de Lula, antes, trata-se de reconhecer nele o único defensor do Estado Democrático de Direito. Lula é a única opção no campo democrático e por isso mesmo está para além do campo progressista. A sua vitória representa discutir em condições de igualdade com outros países como nossos minérios críticos serão explorados e quais os rumos da saúde, educação e segurança. Votar nele é escolher o único candidato que defende o fim da escala 6x1. Significa acenar para um Brasil soberano, no qual os diferentes segmentos da sociedade civil organizada têm oportunidade de se expressar livremente. As pesquisas indicam que nós, Os Povos Livres do Nordeste Brasileiro, em esmagadora maioria, decidimos, mais uma vez, escolher ele, o real patriota, estadista e a principal voz do Sul Global. Possam as demais regiões, ao ler esse texto, pensar quais caminhos pretendem seguir. Contamos com vocês!


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2 comentários

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Denilson
há um dia
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Interessante reflexão!

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Januário
há um dia
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Gratidão!

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