VOCÊ CONHECE A HISTÓRIA DA PALESTINA?
- Manuel Sousa Junior

- há 17 horas
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A antiga Palestina é a região que está localizada onde atualmente se encontra o Estado de Israel, incluindo as Colinas de Golã, que há pouco tempo pertenciam à Síria e foram ocupadas por Israel. A Palestina é o centro e o berço da fé das três maiores religiões monoteístas, a saber: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Tanto que em Jerusalém existem importantes templos históricos das três religiões.
A localização do atual Israel é estratégica: localizado na região conhecida como Oriente Médio, no continente asiático, tem passagem terrestre próxima da África e passagem marítima próxima da Europa. Fica a poucos quilômetros do Canal de Suez, que liga a costa leste africana ao sudeste asiático e à Oceania. Esses são alguns dos motivos que geram discórdia, ganância e cobiça por uma área tão pequena, mas estrategicamente importante para a geopolítica mundial, o que contribui para seus problemas constantes e atuais.
As primeiras comunidades não nômades constituíram-se por volta de 11.000 anos atrás e foram elas que ocuparam esse território de forma contínua. A cidade de Jericó, famosa por suas muralhas, foi fundada por esses primeiros habitantes que se fixaram de forma permanente na Palestina. Consta também que vários outros povos passaram pela região, miscigenando-se com aqueles que já a habitavam.
A região do atual Israel na Antiguidade, conhecida historicamente como Canaã (antes do assentamento hebreu) e posteriormente como o Levante meridional, abrangia as terras da Judeia, Samaria e Galileia. Foi um ponto de encontro estratégico entre grandes impérios, como Egito, Assíria, Babilônia, Pérsia e Roma, e também o berço dos reinos hebreus de Israel e Judá, com presença registrada desde a Idade do Bronze (3.300–1200 a.C.). Por volta de 2100 a.C., a região era conhecida como Canaã e habitada pelos cananeus e outros povos semitas.
A Palestina esteve organizada em cidades-estado sob a hegemonia egípcia durante boa parte do II milênio a.C., situação que mudou nos últimos séculos desse período. Por volta de 1000–586 a.C., o território foi dividido entre a Monarquia Unida (Israel/Judá) e, mais tarde, entre reinos vizinhos, como Moabe e Edom. Após a queda desses reinos, a região foi controlada por assírios, babilônios, persas, gregos e, finalmente, romanos, que renomearam a área como Síria-Palestina.
Por volta de 63 a.C., a Palestina foi anexada ao Império Romano. Os judeus, moradores da região, revoltaram-se contra o domínio romano e, em resposta, o império reprimiu a revolta com violência, expulsando-os da região.
Com o surgimento do Cristianismo nas primeiras décadas do século I, a Palestina tornou-se muito importante no campo religioso, passando a ser palco de eventos centrais para essa fé, como o nascimento de Jesus, sua crucificação e sua ressurreição. Com a divisão do Império Romano em dois, o do Ocidente e o do Oriente, o último também chamado de Império Bizantino, a Palestina ficou sob o seu domínio, tornando-se majoritariamente cristã.
Por volta de 630, a Palestina passou a integrar a expansão muçulmana, especificamente com a conquista da Síria e da Palestina por volta de 636, iniciando processos de arabização e islamização. Jerusalém tornou-se um local sagrado fundamental para o Islã. Entre 1099 e 1291, durante as Cruzadas, os cristãos europeus conquistaram Jerusalém e estabeleceram o Reino Latino de Jerusalém, período marcado por cerca de duzentos anos de conflitos constantes e pela construção de castelos e igrejas.
Durante a reconquista muçulmana, a partir de 1187, Saladino retomou Jerusalém. Posteriormente, os mamelucos consolidaram o controle muçulmano, expulsando os cruzados remanescentes até 1291. Entre os séculos XIII e XV, a região ficou sob o controle dos sultões mamelucos do Egito, antes de passar para o Império Otomano no início da era moderna.
A região permaneceu sob domínio do Império Otomano de 1517 a 1917, portanto por cerca de quatrocentos anos. Era uma região relativamente calma até a entrada dos ingleses em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial. A Inglaterra, juntamente com o movimento sionista, que já existia, ouviu as aspirações dos judeus pela ocupação do território palestino em uma declaração chamada Balfour, que prometia apoio à criação de um lar nacional judaico na Palestina. Para justificar essa ocupação, a propaganda do movimento sionista afirmava que a Palestina seria uma terra vazia, sem moradores, sem indústrias, fábricas ou comércios (Olha a Fake News do passado!).
Para resolver as disputas e tensões existentes na região, a ONU estabeleceu a criação do Estado de Israel em 1948, separando o território destinado aos palestinos. Em vez de trazer paz, a região passou a ser palco de grandes conflitos violentos e surgiram diversos campos de refugiados e grupos terroristas armados anti-sionistas nos territórios vizinhos, como Hamas e Hezbollah, que se opõem ao sionismo, ideologia que defende a inexistência do Estado de Israel.
Em 1947, o Plano de Partilha da ONU propôs dividir a Palestina em dois Estados. O plano destinava aproximadamente 56% da terra ao Estado judeu de Israel e cerca de 44% ao Estado árabe palestino.
Aos poucos, com ocupações militares, construção de muros, controle territorial e guerras, Israel foi avançando sobre territórios palestinos. Desde a criação do Estado de Israel em 1948, o território designado para os palestinos sofreu uma redução drástica. Após a guerra árabe-israelense de 1948, Israel passou a controlar cerca de 78% do território da Palestina histórica, deixando aproximadamente 22% divididos entre a Cisjordânia, controlada pela Jordânia, e a Faixa de Gaza, administrada pelo Egito.
Em 1967 ocorreu a Guerra dos Seis Dias, quando Israel ocupou o restante desses territórios, incluindo Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Faixa de Gaza, resultando na atual fragmentação territorial. A partir desse momento, ocorreram novos assentamentos israelenses em territórios palestinos, ampliando o controle sobre essas áreas.
Em 7 de outubro de 2023, o grupo terrorista Hamas, que controla a Faixa de Gaza, realizou um ataque contra Israel que resultou na morte de mais de 1600 pessoas. Em resposta, Israel iniciou uma ofensiva militar em Gaza, destruiu mais de 80% das construções e provocou mais de 70 mil mortes e uma grave crise humanitária.
Com a criação de Israel no século XX, a situação do povo palestino tornou-se cada vez mais complexa e conflituosa. A Palestina ainda não é reconhecida por todos os países como uma nação soberana.
Quem tem legitimidade histórica sobre um território que foi ocupado por tantos povos ao longo de milênios? A história pode ser usada como justificativa para reivindicar territórios no presente? É possível construir paz duradoura em uma região marcada por disputas religiosas, territoriais e geopolíticas? Até que ponto as potências internacionais influenciaram a configuração atual do conflito entre Israel e Palestina? O Plano de Partilha da ONU realmente buscava uma solução justa ou apenas uma solução possível naquele contexto histórico? A criação do Estado de Israel representou reparação histórica para o povo judeu ou gerou uma nova injustiça para o povo palestino? A segurança de um Estado pode justificar ocupações territoriais e controle militar prolongado? Por que um conflito regional mobiliza tão intensamente a opinião pública mundial? A solução de dois Estados ainda é viável ou o conflito já tornou esse modelo praticamente impossível?
Longe de querer esgotar o assunto, a intenção deste texto foi apresentar que os ancestrais dos palestinos sempre estiveram presentes na região. A história de milênios é muito maior do que as narrativas apresentadas aqui neste resumo. Percebe a complexidade sobre o tema? Deixe sua opinião nos comentários!
REFERÊNCIAS:
NAGM, Fadel. A criação do Estado de Israel e a fragmentação da Palestina. 2013. Monografia (Graduação em História – Licenciatura e Bacharelado) – Universidade Federal de Roraima, Centro de Ciências Humanas, Boa Vista, 2013.
GIORDANI, Mário Curtis. História da antiguidade oriental. Petrópolis: Vozes, 2003.

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