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A SÉRIE "SAGRADA FAMÍLIA" E A MATERNIDADE.




Maio é o mês das mães, esse ser quase sagrado que nos pôs no mundo e que reverenciamos tanto. Muitos ditados premiam essas genitoras pela benção da maternidade: “ser mãe é padecer no paraíso”, “mãe só tem uma”, “o achar é a mãe de todos os erros”, e até utilizada quando se elogia uma instituição que trata muito bem seus empregados: “essa empresa é uma mãe”. Sem falar que as ialorixás que comandam terreiros de candomblé e protegem suas entidades e filhos de santo são reconhecidas como “mães”. E sabemos de várias histórias onde essas mulheres fazem de tudo, às vezes verdadeiros milagres, pra proteger ou salvar seus filhos. Nada melhor que a literatura, o cinema, e as séries de streaming para retratar via arte esse amor materno. Um exemplo é “Sagrada Família”, em cartaz na Netflix. É uma série espanhola onde a figura matriarcal é capaz de tudo pela posse de seus rebentos. E quando digo posse, é posse mesmo! E quando são capazes de tudo, imagine que é tudo mesmo!

 

A trama gira em torno de Glória, uma mulher que se mudou da Argentina pra Espanha com seus filhos, entre eles, o caçulinha de meses ainda, após o falecimento do primogênito. Ao iniciar relações com a nova vizinhança, vai ficando evidente que a família esconde algo. Vão surgindo outros personagens suspeitos naquele bairro, e a certa altura aparece Natália, a ex-noiva do filho morto. E tudo vai girando em torno da posse daquele bebê. E se desenrola uma mistura de suspense e ação policial.

 

Paralelamente, vão surgindo outras histórias envolvendo a relação entre mães e filhos, grande parte delas tensas. Aparecem o amor, a dedicação, o carinho, a disputa, a rejeição. A série é muito feliz em abordar as dificuldades, nuances, temores, e o instinto de ser mãe e fazer de tudo para ter o filho ao lado, ou perceber que filhos muitas vezes são fantasias esperançosas de uma “pré-mãe”, que sonha com algo que não virá como desejou.

 

Ultimamente tem se debatido muito sobre a maternidade e suas minúcias, inclusive aqui no Soteroprosa, basicamente nos ensaios da colunista Karla Fontoura (nas fontes, alguns desses textos). Artigos tentam explicitar a dificuldade, a felicidade, a sagacidade, a debilidade, enfim as diversas tonalidades do marternar. São discussões muito precisas, visto que criar um filho é um infinito turbilhão de emoções e sentimentos os mais variados. Há alguns anos, mulheres tinham até uma dezena de filhos, porém, estuda-se muito para se ter apenas um, e muitas vezes a dúvida permanece até as proximidades do final do ciclo reprodutivo. Vale a pena ou não? A série em questão pode deixar desgostos e compaixões na cabeça do espectador.

 

“Sagrada Família” tem duas temporadas já finalizadas e conta com algumas atrizes conhecidas como Najwa Ninri (a Zulema de ‘Vis a Vis’) e Alba Flores (a Nairóbi de ‘La Casa de Papel’). Nunca esteve figurada entre as mais assistidas, também nunca vi comentada em canais especializados. Isso pra mim não importa nada, sempre é bom vasculhar o que há de mais oculto, pois tem muita coisa boa lá. O fim é impactante e pode emocionar. Tanto mães, quanto filhos.

 

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