OS ADORADORES DE MOLOQUE: 2026. Genesis?
- Armando Januário

- 29 de dez. de 2025
- 4 min de leitura

Quase sete em dez brasileiros acredita em 2026. Tal esperança, maior entre mulheres, pessoas com baixa escolaridade e menor renda não surpreende. Pela primeira vez, um presidente afirmou não precisar do voto de quem agride as mulheres e sinalizou abertamente ‘dedicar tempo da sua governança’ para construir políticas públicas de combate ao feminicídio. Neste respeito, aguardamos com ansiedade o cumprimento da promessa junto a um grupo social atravessado a golpes cruéis de foice. Em paralelo, pessoas com baixa escolaridade e menor renda ainda desempregadas e sem oportunidades de seguir os estudos, respectivamente, desejam retomar a aprendizagem escolar, para integrar um país que atingiu o pleno emprego e com informalidade em queda. Aparentemente, a sociedade civil organizada percebe o novo ano enquanto gênese para um país verdadeiramente democrático e com práticas legítimas de inclusão. Contudo, o sistema moloquiano persiste na lógica de sacrificar o agora em prol de um ilusório futuro de glórias, sempre às custas da moral escravista. Persistiremos denunciando o racismo estrutural das classes abastadas, verdadeiras sanguessugas, drenando as energias vitais da população que acorda às 5 da manhã, pega metrô e ônibus para ir e voltar do trabalho. A moral moloquiana desses grupos é anestesiar as camadas mais empobrecidas com tecnopolíticas capazes de desviar a atenção de quem se empenha em destruir as instituições. Estamos falando do Congresso Nacional, hoje, o principal instrumento utilizado por Moloque para ultrajar quem almeja o mínimo de civilização.
Ficamos sabendo através de Os Adoradores de Moloque: A Adultização da Infância qual o intuito em demonizar o termo gênero. Sob uma roupagem moralista, diversas lideranças religiosas seguem com o projeto de acobertamento de pedófilos e predadores sexuais. O próprio modelo de infância precisa ser editado. Em uma temporalidade marcada pelo abandono das funções parentais e redução da vida à servidão aos aplicativos, crianças e adolescentes, como se fossem condutores de um veículo, impõem preferências, deixando de lado os pais e toda a ordem político-jurídica. Isso ocorre em função da crise nas instituições e da ausência de lideranças autênticas.
Aprendemos em Os Adoradores de Moloque: O NRx, que a sociedade, cansada de acreditar em instituições inertes, entrega a democracia aos seus mais vorazes inimigos. Nessa perspectiva, a extrema direita vem colecionando vitórias nos campos de batalha virtuais. A guerra cultural tem sido o principal instrumento utilizado por esse grupo político. Infelizmente, não podemos denominá-los bando político, haja vista a sua calculada organização e planejamento de tarefas, visando apenas destruir o Estado Democrático de Direito e todos os seus marcos civilizatórios. Contudo, há poucos dias, a Organização dos Estados Americanos (OEA), reconheceu o 08 de janeiro de 2023, houve tentativa de golpe de Estado, ao mesmo tempo em que admitiu o Supremo Tribunal Federal (STF) e todo o sistema jurídico brasileiro como instituições sólidas que defendem a democracia. Estamos falando de um organismo internacional que reconheceu as ações do STF como legítimas e fundamentadas na proteção da democracia. Na prática, isso é uma quebra da narrativa dos radicais à direita, sempre (des)ocupados em nomear os ministros do STF como “ditadores da toga”.
Tomamos conhecimento em Os Adoradores de Moloque: A Pandemia de Saúde Mental, sobre o alarmante número de pessoas vivendo com transtornos mentais no Brasil. Lemos que em 2024, mais de 470 mil pessoas foram afastadas do trabalho por licença médica, em razão de perturbações psíquicas. Escalas de trabalho inaceitáveis, associadas, em muitos casos, a assédio moral perpetrado por líderes desprovidos de qualquer responsabilidade afetiva, engrossam esse quantitativo, o maior em dez anos. Acreditamos que a Norma Regulamentadora (NR-1), ao incluir a prevenção de riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), apresenta um horizonte promissor. No entanto, não podemos abandonar a preocupação com o texto da NR-1 que possibilita a qualquer pessoa com formação mínima em saúde mental, estar habilitada para capacitar trabalhadores e gestores. Conhecendo as complexas tessituras envolvendo as dinâmicas das corporações, sabemos que a atuação de psicólogos organizacionais é fundamental para contribuir com a proteção da massa trabalhadora. Quando o texto da NR-1 desobriga as empresas a demandar a intervenção de psicólogos, expõe os trabalhadores a profissionais de formação duvidosa. Devemos acompanhar com atenção os desdobramentos desse cenário e exigir ações realmente contributivas para que os trabalhadores não sejam ainda mais penalizados. Em paralelo, o fim da escala 6x1 se apresenta como alternativa fundamental se queremos falar em humanização no trabalho. Do contrário, qual a vantagem da Inteligência Artificial (IA) e de todos os avanços tecnológicos?
Encerramos essa tetralogia vislumbrando 2026 como ano promissor e desafiador. Se por um lado, os índices econômicos e sociais, em parte, cumprem a agenda governamental prometida em 2022, por outro, um ano de eleições promete polarizar ainda mais o cenário. O ódio será mais uma vez utilizado como ferramenta política. Mesmo assim, teremos a oportunidade de afirmar, nas urnas, aquilo que desejamos ser pautado nas câmaras estaduais e federais, além do Senado e executado pela Presidência da República. Saberemos fazer isso?
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Gratidão, Soteroprosa